Frei Gilson alvo de denúncia por declarações sobre mulheres e LGBT+

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Frei Gilson é denunciado ao Ministério Público de SP por falas consideradas discriminatórias contra mulheres e público LGBT+

O Frei Gilson foi alvo de uma representação formal encaminhada ao Ministério Público de São Paulo. A ação foi movida pelo jornalista e escritor Brendo Silva, ex-seminarista católico. Silva classificou declarações do religioso, proferidas em homilias, entrevistas e publicações em redes sociais, como discriminatórias direcionadas a mulheres e pessoas LGBT+.

Segundo o documento apresentado, o frei teria utilizado termos como “homossexualismo”, expressão contestada por movimentos de defesa LGBT+. A denúncia também aponta falas que associam a homossexualidade a conceitos como “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”. Um vídeo anexo ao pedido mostra o religioso comentando o posicionamento da Igreja Católica sobre relações homoafetivas.

“Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou”, afirmou Frei Gilson em um trecho apresentado na denúncia.

O material que embasa a representação também cita declarações onde Frei Gilson defende, com base em interpretações bíblicas, a ideia de que a mulher possui um papel considerado auxiliar em relação ao homem. Brendo Silva argumenta que tais posicionamentos reforçam discursos discriminatórios, que estariam em desacordo com os debates contemporâneos sobre igualdade de gênero e diversidade sexual.

Na representação, Brendo Silva declarou que “liberdade religiosa não é liberdade para odiar” e ressaltou que discursos dessa natureza não deveriam ser normalizados em um país com altos índices de violência contra mulheres e pessoas LGBT+. Ele mencionou ter convivido por mais de dez anos no ambiente religioso com diversas pessoas LGBT+, apontando uma contradição entre essas experiências e os discursos públicos sobre sexualidade.

“É preciso coerência e responsabilidade”, opinou o autor da denúncia.

O caso também gerou repercussão nas redes sociais. O comentarista político Rodrigo Constantino comentou a situação, relacionando a denúncia ao religiosos-reagem-a-apoio-de-pastores-a-bolsonaro/” target=”_blank” rel=”noopener noreferrer”>resultado da campanha eleitoral de 2022. Ele escreveu em sua conta na rede social X (antigo Twitter): “Avisamos que os cristãos seriam perseguidos como na Nicarágua”, comparando a situação a perseguições enfrentadas por cristãos em países como a Nicarágua.

Atualmente, Frei Gilson não responde a nenhum processo criminal. A representação segue em análise no Ministério Público de São Paulo, que avaliará a possibilidade de abertura de um procedimento formal. O religioso obteve grande projeção nacional durante a pandemia de COVID-19, acumulando quase 13 milhões de seguidores no Instagram e mais de 9 milhões de inscritos no YouTube, especialmente por suas transmissões ao vivo durante a madrugada.

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