Lei Indiana Provoca Temores de Confisco de Bens de Instituições Cristãs

Mais lidas

Proposta de lei na Índia pode dar ao governo poder para confiscar bens de ONGs, alarmando instituições cristãs e grupos de direitos humanos

Uma alteração na lei que regula o financiamento estrangeiro para organizações sem fins lucrativos na Índia gerou forte oposição e acusações de perseguição a cristãos. As mudanças propostas para a Lei de Regulação de Contribuições Estrangeiras (FCRA), introduzidas em Nova Delhi em 25 de março, concederiam ao governo poderes significativos sobre milhares de ONGs, incluindo igrejas e outras entidades cristãs.

Stephen Schneck, da Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional, alertou que a proposta impediria o financiamento de instituições vitais como orfanatos, clínicas, escolas e igrejas. Se a licença de uma organização for suspensa, cancelada ou não renovada sob a nova medida, as autoridades poderiam assumir o controle de seus ativos, administrá-los ou até mesmo vendê-los.

“Isso parece completamente injusto e arbitrário”, alertou Schneck. “Além disso, este é claramente um esforço para reprimir grupos religiosos minoritários na Índia em um momento em que vemos o nacionalismo hindu crescente agindo de maneiras que perseguem minorias religiosas no país.”

Amnesty International e outros grupos de direitos humanos indicam que a proposta se baseia em uma lei já criticada. Desde sua entrada em vigor em 2010, a FCRA tem sido alvo de emendas e uso indevido para assediar, intimidar e censurar defensores de direitos humanos e ONGs que realizam trabalho vital na Índia.

Organizações cristãs expressam receio de serem desproporcionalmente visadas. O Arcebispo Joseph D’Souza, da Good Shepherd Church of India, descreveu a ação como um “roubo direto e furto de instituições cristãs e suas propriedades através de uma emenda legal a um projeto de lei”.

Até março de 2026, aproximadamente 22.000 organizações já haviam perdido suas licenças FCRA. A Amnesty International observa que muitos desses grupos estavam envolvidos com liberdade religiosa, direitos de minorias e liberdade de expressão, atuando “com os mais pobres dos pobres, as populações mais vulneráveis na Índia hoje”, segundo Schneck.

O governo indiano, em ocasiões anteriores, defendeu as regras da FCRA, citando a necessidade de transparência e segurança nacional como justificativas para sua manutenção.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias