Treze americanos barrados de entrar em Israel; grupo planejava visitar vila cristã palestina
Um grupo de 13 líderes inter-religiosos e defensores americanos foi impedido de entrar em Israel na última semana, após serem detidos e recusados na fronteira. A delegação, que incluía quatro membros da Igreja Metodista Unida (UMC), além de participantes cristãos, judeus e muçulmanos, tinha planos de visitar comunidades na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A decisão de Israel de barrar a entrada gerou críticas e alegações de que autoridades israelenses estariam tentando impedir a observação de condições nos territórios palestinos.
Os americanos foram detidos e tiveram a admissão recusada ao tentarem entrar em Israel pela Ponte Sheik Hussein, vindo da Jordânia, no dia 13 de agosto. De acordo com os organizadores, a proibição de entrada pode durar até 10 anos. O grupo argumenta que a ação viola os termos do programa de isenção de visto dos EUA, que permite a cidadãos de países participantes viajar sem a necessidade de visto prévio.
Detalhes da negação de entrada e planos da delegação
O Rev. Edward Phillips, um ministro metodista aposentado e professor de teologia da Universidade Emory, que liderou a delegação, informou que um dos destinos planejados era Taybeh, uma vila inteiramente cristã na Cisjordânia. Relatos indicam que a vila tem sido cercada pelas Forças de Defesa de Israel devido a preocupações com ataques de colonos israelenses. Moradores de Taybeh relataram incidentes como vandalismo, tentativa de incêndio a uma igreja, veículos incendiados e danos a olivais.
Phillips descreveu a visita como arranjada “através de contatos” com o Sabeel Ecumenical Liberation Theology Center em Jerusalém Oriental. O Sabeel é uma organização associada à Teologia da Libertação Palestina. Críticos, como o NGO Monitor, alegaram que o grupo e seu fundador empregam “temas e imagens antissemitas”. No entanto, Phillips defendeu o Sabeel como uma “organização de resistência não violenta no espírito de Jesus, Martin Luther King e Gandhi”.
Alegações e reações à decisão de Israel
Durante uma coletiva de imprensa em Atlanta, Phillips exibiu uma imagem do que chamou de “casa demolida” em Silwan, um bairro palestino em Jerusalém que a delegação pretendia visitar. Phillips declarou que ficou claro logo no início que a viagem não seguiria o planejado.
Após interações com funcionários da fronteira, o grupo recebeu uma negação por escrito, citando “considerações de prevenção de imigração ilegal” como motivo para a recusa. Em resposta ao incidente, a organização Friends of Sabeel North America lançou uma petição pedindo aos membros do Congresso dos EUA que investiguem se o governo israelense agiu de forma indevida ao negar a entrada da delegação.
O contexto da visita planejada
A tentativa de entrada em Israel ocorreu em um momento de tensão contínua nos territórios palestinos. A proibição de entrada de um grupo inter-religioso, incluindo figuras religiosas, levanta questões sobre a política de Israel em relação a visitantes estrangeiros que buscam observar as condições locais. A alegação de que Israel tenta impedir a observação de condições em territórios palestinos, como mencionado pelos organizadores, sugere uma preocupação com a transparência e o escrutínio internacional sobre a situação na região.
