Uma conexão singular entre Brasil e Israel revelada por teólogo e pastor com profundos laços históricos, culturais e de afeto recíproco entre os povos
Luiz Sayão, teólogo, pastor e renomado conhecedor do contexto bíblico e de Israel, destaca a relação singular entre o Brasil, o povo judeu e Israel. Segundo ele, essa conexão atravessa séculos e se manifesta na história, cultura e em um afeto mútuo surpreendente.
Durante suas viagens a Israel, Sayão observou um carinho expressivo por parte de muitos israelenses em relação ao Brasil. Alguns aprendem o idioma português, demonstram apreço pela bossa nova e torcem pela seleção brasileira. Ele ressalta que essa receptividade não é vista em outro lugar.
Em contrapartida, o Brasil exibe um amor notável por Israel, sendo, segundo a observação de Sayão, o país onde esse sentimento é mais pronunciado globalmente. Essa afinidade é descrita como uma descoberta de que “o Brasil é muito judaico”.
A presença judaica no Brasil remonta aos primórdios da colonização. O país foi iniciado com a chegada de Cabral, acompanhado por Gaspar da Gama, um judeu poliglota polonês. Nomes como Fernando de Noronha e Bento Teixeira marcam a presença histórica judaica em terras brasileiras.
Recife abriga a primeira sinagoga das Américas, e alguns de seus fundadores judeus foram responsáveis pela criação de Nova York. Milhares de judeus encontraram refúgio no Brasil para escapar da Inquisição, e milhões de brasileiros têm descendência dos judeus sefaraditas que se estabeleceram no país.
A cultura brasileira carrega um “tempero judaico”, resultado da imigração de milhares de judeus asquenazitas a partir de 1872, que formaram uma das maiores comunidades judaicas do mundo.
Diversas personalidades notáveis contribuíram para a construção do Brasil, como Sílvio Santos, Clarice Lispector, Stefan Zweig, Adolpho Bloch, Joseph Safra, Marcelo Gleiser, Leon Feffer, Jacó do Bandolim e Lasar Segall.
Essa admiração mútua é explicada pela identificação do povo brasileiro, uma mistura de etnias e culturas, com a saga de sofrimento judaico. Histórias bíblicas de libertação e a superação de um povo pequeno diante de impérios ressoam profundamente no coração dos brasileiros.
Apesar de uma elite herdeira do antissemitismo estrangeiro rejeitar esse amor espontâneo, a “face cristã popular do Brasil” mantém um amor incondicional por Israel. Essa conexão está intrinsecamente ligada ao “sangue e coração” do povo brasileiro, sendo impossível de ser impedida.
O desejo brasileiro de conhecer Israel, a Terra Santa e Prometida, coexiste com o contínuo apreço israelense pelo Brasil e pela culinária local, como o falafel com macaxeira. Em tempos de terror e antissemitismo, a celebração desse amor incomparável entre Brasil e Israel é destacada, sob a luz de Oswaldo Aranha, uma herança memorável.
