Queda nos registros de blasfêmia no Paquistão não garante segurança

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A redução aparente nos casos oficiais de blasfêmia no Paquistão é recebida com cautela por observadores que apontam a persistência da violência estrutural

Um levantamento da International Christian Concern (ICC) aponta que o número de denúncias oficiais de blasfêmia registrou queda este ano após intervenções do alto comando militar contra grupos fundamentalistas. No entanto, o cenário real é visto com ceticismo, dado que o histórico recente de 2024 mostrava números até 40 vezes superiores aos de 2020.

Hamza, um paquistanês exilado que defende a reforma das leis locais, avalia que o declínio numérico é insuficiente para declarar a resolução do problema. “Pessoalmente, não acho que isso signifique que o problema subjacente tenha sido resolvido”, afirmou.

O impacto da influência do TLP e os riscos de extorsão

O cenário é agravado pelo chamado “negócio da blasfêmia”, esquema de extorsão que envolve até agentes da Agência Federal de Investigação. Eles utilizam acusações em redes sociais para chantagear cidadãos, prática que, em diversos casos, levou vítimas à morte em detenções não oficiais.

A proibição do partido Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP), responsável por agitar redes de intolerância, é vista por analistas como uma medida motivada mais por interesses econômicos e pela necessidade de melhorar relações comerciais com o Ocidente do que por preocupações humanitárias. O ativista Hamza ressalta que a influência da legenda permanece.

“Mesmo quando a organização em si é restringida, ou sob pressão, as emoções e redes construídas em torno desse assunto não desaparecem da noite para o dia”, pontuou Hamza.

Vulnerabilidade das minorias e o medo cultural

Apesar de a maioria dos acusados serem muçulmanos, as minorias religiosas, como cristãos e ahmadiyyas, sofrem com uma desproporcionalidade nas acusações. Elijah, um cristão que permanece no Paquistão, descreve um ambiente de vulnerabilidade extrema.

“Uma acusação de blasfêmia nem sempre precisa chegar a um tribunal para destruir a vida de alguém. Mesmo sem acusações formais, sua reputação, sustento e a segurança da sua família podem ser colocados em risco”, explicou Elijah. A estrutura das leis permanece intacta, mantendo o medo como ferramenta de controle social e inibindo qualquer debate público sobre a abolição das normas que, segundo os relatos, fomentam décadas de intolerância enraizada.

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