Violência na região fronteiriça de Moyale provoca uma crise humanitária e desloca milhares de cristãos que buscam refúgio em território queniano
Milhares de cristãos etíopes abandonaram suas casas, igrejas e comunidades devido ao agravamento do conflito armado próximo à cidade de Moyale. A situação, reportada pelo portal International Christian Concern (ICC), forçou famílias a atravessarem a fronteira em direção ao Quênia em busca de segurança, enfrentando precariedade alimentar e incerteza quanto ao futuro.
Um dos fiéis deslocados, que preferiu manter o anonimato, descreveu o drama da fuga forçada. “Nós nunca imaginamos que teríamos que deixar nossas casas assim. Tínhamos nossas famílias, nossa igreja e nossas vidas na Etiópia, mas a violência tornou impossível permanecer. Muitos de nós não tivemos escolha a não ser fugir para o Quênia, deixando para trás tudo o que estimamos.”
Falta de proteção e apoio humanitário
A ausência de assistência estatal na Etiópia foi apontada por sobreviventes que chegaram ao solo queniano. Dadi, um dos etíopes deslocados, relatou as dificuldades enfrentadas durante o deslocamento e a separação familiar. “A situação é muito ruim; eu fugi, deixando minha família para trás. Por enquanto, não sei onde minha família está. São os cidadãos quenianos que estão nos ajudando. Nosso governo não está fazendo nada para proteger seus cidadãos.”
A crise já resultou na fuga de aproximadamente 40 mil pessoas, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia. A entidade reforçou a necessidade urgente de uma resposta humanitária coordenada, enfatizando que a proteção da vida e da dignidade humana deve ser prioridade independentemente da nacionalidade ou da fé de cada indivíduo.
Apelo das lideranças religiosas
O Conselho Mundial de Igrejas emitiu um posicionamento exigindo que as autoridades etíopes cumpram seu dever fundamental de proteger a população civil. Em nota, a organização reiterou que a segurança dos cidadãos deve ser garantida sem distinção de etnia ou religião, conclamando comunidades cristãs ao redor do mundo a oferecer apoio e orações pelas vítimas.
