Líderes cristãos e muçulmanos se unem em Bengaluru para exigir o cumprimento de promessas eleitorais feitas pelo atual governo do estado
Representantes de minorias religiosas e defensores dos direitos humanos reuniram-se em Bengaluru no dia 29 de outubro para exigir a revogação imediata da lei de anti-conversão. Segundo a organização International Christian Concern (ICC), o movimento solicita o fim da norma intitulada Karnataka Protection of Right to Freedom of Religion Act, de 2022.
A delegação, liderada pelo arcebispo católico de Bangalore, Peter Machado, e pelo representante do Karnataka Rajya Muslim Okkoota, Mohammed Yahya Damudi, também defende a reversão da proibição ao abate de gado e a implementação de mecanismos eficazes contra discursos de ódio. A legislação atual foi herdada da gestão do Partido Bharatiya Janata (BJP), de orientação nacionalista hindu, aprovada sob intensos protestos da sociedade civil.
Promessas não cumpridas
O atual governo do Congresso Nacional Indiano, eleito sob a premissa de restaurar proteções a minorias, enfrenta críticas por manter a legislação em vigor. Machado e Damudi ressaltaram que a pauta constava explicitamente no manifesto eleitoral do partido.
A presente gestão do Congresso, que buscava chegar ao poder na época, registrou no manifesto eleitoral que, se vencesse, revogaria as leis imediatamente.
Relatos da mídia indicam que o governo tem evitado tomar medidas drásticas por receio de perder o apoio da base de eleitores hindus. Esse cenário reflete uma tendência nacional, onde 13 estados indianos adotaram leis de conversão rigorosas na última década. O impasse jurídico permanece em tribunais superiores enquanto, conforme aponta a ICC, princípios laicos da constituição indiana sofrem erosão contínua.
