Relatos de repressão detalham como o governo chinês tenta suprimir a prática do cristianismo em todo o país através de detenções e vigilância constante
O pastor Ding Shuqi, da Early Rain Covenant Church, utilizou um evento no Museum of the Bible, em Washington, para denunciar a escalada da perseguição religiosa imposta pelo Partido Comunista Chinês (PCC). Segundo informações da Christianity Daily, o religioso detalhou a realidade enfrentada por cristãos na China, afirmando que o Estado iniciou uma guerra contra a fé, visando erradicar a liberdade religiosa como base de todos os direitos humanos.
Ding, que chegou aos Estados Unidos no ano passado, compartilhou sua experiência pessoal de detenção. Ele foi preso em 2018 durante uma ofensiva nacional contra igrejas domésticas, enfrentando cinco meses de cárcere. Na ocasião, o pastor relata ter sido submetido à tortura, incluindo a posição física conhecida como “o dragão segurando o pilar”.
Vigilância e detenções constantes
A situação para os membros da Early Rain permanece crítica. De acordo com o relato do pastor, a igreja não possui templos fixos e precisa se reunir em residências ou hotéis, correndo o risco constante de incursões policiais. Em setembro de 2026, ele destacou:
“Eles verificam nossos documentos ilegalmente, interrompem nosso culto, traumatizam nossas crianças e levam nossos líderes da igreja embora”
O fundador da igreja, Wang Yi, segue cumprindo uma sentença de nove anos sob acusações de incitação à subversão do poder estatal. Outros líderes, como Dai Zhichao e Li Yingqiang, detidos em janeiro deste ano, enfrentam possíveis condenações de até 20 anos de prisão.
Apelo à comunidade internacional
A denúncia ocorre pouco antes de uma visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. O pastor enfatizou que os casos mencionados não são incidentes isolados, mas parte de uma estratégia sistêmica em todo o território chinês.
Diante do cenário, Ding apelou para que a comunidade internacional e a imprensa pressionem o governo chinês por respeito à liberdade de culto. O grupo de defesa ChinaAid, responsável por mediar o testemunho, reiterou que o movimento das igrejas domésticas na China mantém seu compromisso com o ensino bíblico, a comunhão cristã e a Grande Comissão, apesar das restrições e da vigilância estatal contínua.
