Surto de Ebola se agrava em meio à perseguição de cristãos no Congo

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Cristãos no Congo enfrentam surto de Ebola agravado por perseguição e violência de grupos armados

Comunidades cristãs no leste da República Democrática do Congo (RDC) lidam com um novo surto de Ebola, somando-se a anos de perseguição e ataques de grupos armados. A epidemia intensifica o sofrimento de milhares de famílias que já fugiram da violência, perdendo casas, entes queridos e a sensação de segurança.

Autoridades de saúde confirmaram que esta é a 17ª epidemia de Ebola registrada no país desde 1976. O surto, identificado inicialmente em Mongwalo, na província de Ituri, já afeta três zonas sanitárias na região nordeste. Segundo o International Christian Concern (ICC), cerca de 100 mortes foram registradas na comunidade, com suspeitas de ligação ao vírus.

A Agência de Saúde da União Africana identificou o surto como variante Bundibugyo, a mesma que causou uma epidemia em 2012. Ao contrário da variante Zaire, a Bundibugyo não possui vacina ou tratamento adequado aprovado.

“Essa variante não tem atualmente nenhuma vacina disponível ou opções terapêuticas adequadas”, explicou o Ministro da Saúde, Roger Kamba, durante uma coletiva de imprensa. “Isso aumenta significativamente o risco de rápida disseminação e complica a resposta médica.”

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) expressou preocupação, pois muitas áreas afetadas são de difícil acesso devido à atuação de grupos armados e à violência contínua em Ituri. Para os cristãos, a epidemia representa um obstáculo adicional, pois medidas básicas de prevenção tornam-se quase impossíveis para quem vive em fuga constante.

O ICC destacou a vulnerabilidade das vítimas: “Elas não têm para onde ir em segurança e nenhuma maneira real de se proteger”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”, exigindo ajuda humanitária urgente devido ao risco de propagação.

Um médico missionário americano, Dr. Peter Stafford, foi diagnosticado com Ebola enquanto servia na RDC e está recebendo tratamento especializado na Alemanha. Outros dois profissionais de saúde da organização missionária cristã Serge, Dra. Rebekah Stafford e Dr. Patrick LaRochelle, foram potencialmente expostos, mas permanecem assintomáticos sob monitoramento.

“Nossos corações estão com a família Stafford e com as comunidades congolesas que enfrentam este surto”, afirmou Matt Allison, Diretor Executivo da Serge. “Peter e Rebekah serviram fielmente as comunidades vulneráveis em Nyankunde com extraordinária compaixão e coragem.”

A Serge informou que sua equipe de campo tem experiência na região de Ituri e em respostas a surtos de Ebola, e está empenhada em orações por cura e proteção. O Ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de infectados, não se espalhando pelo ar. Mais de 500 casos suspeitos e 131 mortes suspeitas já foram registrados na RDC e em Uganda.

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