Um grande júri da Flórida indiciou o ex-presidente cubano Raúl Castro por assassinato, referente ao abate de aviões de ajuda humanitária em 1996, que vitimou três cidadãos americanos, acendendo protestos em Miami e aprofundando a crise com Cuba.
Cidadãos cubano-americanos foram às ruas de Miami, clamando por “Liberta! Liberta!”, após a decisão do governo dos Estados Unidos de acusar formalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro de assassinato. Esta ação judicial refere-se ao abate de dois aviões que transportavam ajuda humanitária em 1996, um evento que resultou na morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos, conforme noticiado pela CBN News.
Um grande júri da Flórida formalizou a acusação contra Raúl Castro, irmão do falecido líder Fidel Castro, e mais cinco indivíduos por seu suposto envolvimento no incidente de 1996. Na época, Castro, que hoje tem 94 anos, ocupava a posição de ministro da Defesa de Cuba.
Acusações históricas e a resposta de Washington
A medida representa um marco histórico nas relações entre os dois países. Todd Blanche, procurador-geral dos EUA em exercício, enfatizou a importância da acusação, destacando que é a primeira vez em décadas que um líder cubano enfrenta tal processo.
“Pela primeira vez em quase 70 anos, a alta liderança do regime cubano foi acusada neste país, nos Estados Unidos da América, por atos de violência que resultaram na morte de cidadãos americanos.”
A tensão diplomática é palpável. O presidente Trump já havia sinalizado a possibilidade de ação militar contra Cuba, especialmente após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, um aliado de longa data de Havana.
“Temos Cuba em mente. Muito importante. Tem sido um grande problema por muitos anos, e este foi um grande — acho que foi um momento muito grande”, disse Trump na noite de quarta-feira.
O grupo de ataque do porta-aviões USS Nimitz agora se encontra próximo à costa cubana, levantando questionamentos sobre uma possível intervenção militar americana para deter Raúl Castro. A deputada María Elvira Salazar (R-Flórida) enviou um aviso direto aos líderes da ilha.
“A mensagem é para a família Castro, entendam bem isso, que seus dias acabaram.”
Havana se prepara e diplomacia se move
Em resposta a essa escalada, líderes cubanos estariam se preparando para um confronto militar. Reportagens da Axios indicam que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares e estaria discutindo possíveis ataques a alvos como a Baía de Guantánamo, embarcações militares e localidades em Key West.
Em meio à crise, o secretário de Estado Marco Rubio fez um apelo aos cubanos na quarta-feira, instando-os a rejeitar o regime comunista e a buscar um novo relacionamento com os Estados Unidos. Rubio delineou uma visão de uma nação mais livre.
“O presidente Trump está oferecendo um novo caminho entre os EUA e uma nova Cuba”, afirmou Rubio em um discurso em espanhol. “Uma nova Cuba onde você pode reclamar de um sistema falho, sem medo de ir para a prisão ou ser forçado a deixar sua ilha. E uma nova Cuba onde você tem uma oportunidade real de escolher quem governa seu país e votar para substituí-los se não estiverem fazendo um bom trabalho.”
Esses desenvolvimentos surgem dias após relatos de um encontro entre o diretor da CIA, John Ratcliffe, e o neto de Raúl Castro em Havana. Na ocasião, os EUA teriam expressado abertura para negociações, contanto que Cuba implemente grandes mudanças. Contudo, nem todos apoiam um diálogo que mantenha o status quo. Jorge Malagon-Marquez, professor do Miami Dade College, expressou ressalvas sobre os termos de uma eventual liberdade.
“Todos nós queremos mudança em Cuba. Queremos liberdade para Cuba, mas o que não queremos é uma liberdade negociada que deixe grande parte do regime brutal intacto.”
Paralelamente, um novo relatório da Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional critica Cuba por décadas de violações à liberdade religiosa. Especialistas sugerem que uma mudança de regime teria um impacto monumental na vida dos cidadãos cubanos. Sam Brownback, ex-embaixador para Liberdade Religiosa Internacional, comentou à CBN News sobre o potencial de liberdade religiosa.
“Oh, é liberdade. Eles poderiam voltar a praticar sua fé, que eles tiveram. Este é um povo muito fiel e orientado pela fé; eles não foram capazes de praticá-la. Eles poderiam buscar sua fé novamente.”
