Novo surto de Ebola na República Democrática do Congo agrava crise humanitária para cristãos já atingidos por extremismo
Um novo surto de Ebola foi confirmado no leste da República Democrática do Congo (RDC), adicionando uma nova camada de sofrimento para as comunidades cristãs que já lidam com a violência de grupos extremistas. A epidemia, a 17ª no país desde 1976, foi detectada em Mongwalo, na Província de Ituri, e já afeta três zonas de saúde, com cerca de 100 mortes relatadas inicialmente, possivelmente ligadas ao vírus. A informação foi divulgada em maio de 2026.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”, um dos mais altos alertas globais. O Ministro da Saúde, Roger Kamba, destacou a gravidade da situação, identificando a cepa como a variante Bundibugyo, que surgiu no país em 2012. Diferente da variante Zaire, que possui vacina e tratamentos estabelecidos, a Bundibugyo não dispõe de opções terapêuticas adequadas, elevando o risco de propagação rápida e dificultando a resposta médica.
A atuação de grupos armados e o conflito contínuo em partes da Província de Ituri, como advertido pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), complicam ainda mais o acesso das equipes de saúde e ajuda humanitária a áreas de difícil alcance. A presença de explosivos, como fuzis desenterrados, evidencia a complexidade da crise na região.
Para as famílias cristãs em Ituri e Kivu do Norte, a violência de grupos como as Forças Democráticas Aliadas (ADF) já resultou em mortes, sequestros e evacuações forçadas de vilas inteiras. Essas comunidades, que já vivem em condições precárias sem abrigo estável, alimento regular, água potável ou cuidados médicos, agora enfrentam a ameaça do Ebola. Medidas básicas de prevenção, como lavagem das mãos e isolamento, tornam-se praticamente impossíveis para pessoas em fuga.
A proximidade de Mongwalo com Bunia, capital de Ituri, a cerca de 80 km, é marcada por estradas difíceis e atividade rebelde frequente, conforme relatado por um oficial. A situação humanitária é crítica, com cristãos e outras populações deslocadas sofrendo com a combinação de violência e uma epidemia mortal, sem locais seguros para se abrigar ou meios eficazes de proteção.
