Presidente americano levanta casos de presos religiosos em Pequim e pede consideração para libertação de pastor
Em sua recente viagem à China, o Presidente Donald Trump confirmou ter discutido com o líder chinês Xi Jinping os casos do Pastor Ezra Jin e de Jimmy Lai, ambos detidos no país. A declaração ocorreu durante o retorno da viagem, a bordo do Air Force One.
Trump comunicou que Xi Jinping afirmou que consideraria seriamente a libertação do Pastor Jin, um reconhecimento incomum por parte de Pequim, em meio a um endurecimento das restrições à liberdade religiosa. A fonte original da notícia é o site persecution.org.
O Pastor Jin, fundador da Zion Church em Pequim, foi detido no ano passado junto com outros líderes religiosos. As autoridades chinesas alegaram distribuição ilegal de ensinamentos religiosos online, sob novas regulamentações. A Zion Church era uma das maiores congregações protestantes não registradas na China antes de ser fechada em 2018 por não se submeter ao controle estatal.
“Eu vou levantar ambos os casos”, disse Trump aos repórteres antes de partir para a China.
Grace Jin Drexel, filha do pastor, descreveu o avanço como “milagroso” e agradeceu ao governo americano por ter levado o caso de seu pai diretamente a Xi Jinping. A intervenção diplomática seguiu-se a uma crescente pressão de legisladores e grupos de direitos humanos.
Caso de Jimmy Lai permanece complexo
Apesar do movimento aparente no caso do Pastor Jin, a detenção contínua de Jimmy Lai é vista como um reflexo da campanha mais ampla do Partido Comunista Chinês contra a dissidência. Lai, fundador do jornal Apple Daily, cumpre uma pena de 20 anos sob a lei de segurança nacional de Hong Kong.
Grupos de direitos humanos internacionais e defensores da liberdade religiosa condenam a acusação como politicamente motivada. Relatos da família de Lai indicam que ele está impedido de praticar aspectos de sua fé católica, como receber a comunhão.
“Eu levantei [o caso de Lai], mas é uma questão mais difícil para ele”, disse Trump sobre sua conversa com Xi.
O presidente americano comparou Lai a seus próprios inimigos políticos, demonstrando entender por que Xi poderia preferir mantê-lo preso, dadas suas atividades consideradas politicamente inconvenientes. A diferença no tratamento dos dois casos pode indicar a distinção feita pelas autoridades chinesas entre atividades religiosas clandestinas e figuras percebidas como ameaças políticas diretas à autoridade do partido.
Defensores alertam, no entanto, que declarações públicas de Pequim não garantem ações concretas. A China frequentemente sinaliza abertura em casos de prisioneiros durante encontros diplomáticos de alto nível, mas as detenções podem continuar discretamente.
Para cristãos na China, o simples fato de um pastor detido em uma igreja doméstica ter sido discutido nos mais altos níveis da diplomacia EUA-China já é considerado significativo. O governo chinês intensifica restrições a práticas religiosas fora das instituições aprovadas pelo estado, visando igrejas protestantes, comunidades católicas fiéis a Roma, muçulmanos uigures, budistas tibetanos e outros grupos religiosos considerados insuficientemente leais ao Partido Comunista.
