Expansão de igrejas evangélicas no território espanhol coincide com relatos de discriminação
O número de templos evangélicos em Madri cresce a uma taxa de uma nova igreja a cada quatro dias, totalizando 1.187 unidades atualmente. Nos últimos cinco anos, 455 novas congregações foram inauguradas, representando um aumento de 62%. Essa expansão, especialmente de igrejas brasileiras, impulsionada pela imigração latino-americana, tem levado fiéis a relatar episódios de preconceito e discriminação em cidades como Madri e Barcelona. O Observatório de Pluralismo Religioso documenta essa movimentação.
Na Espanha, estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas frequentem cultos evangélicos. O percentual de autodeclarados evangélicos saltou de 0,2% em 1998 para 2% em 2018. Denominações como a Igreja Universal do Reino de Deus, Batista da Lagoinha, Igreja Cristã Maranata e Verbo da Vida marcam presença no país. Líderes como o pastor Gilberto Miranda de Moraes, da Igreja Pentecostal Deus é Amor em Madri, conduzem cultos em português e espanhol, abordando temas variados e oferecendo suporte espiritual.
A proximidade cultural e o apoio comunitário são fatores apontados por Chema Alejos, professor que relaciona o avanço evangélico à imigração de cerca de 4 milhões de latino-americanos na Espanha. Esses imigrantes frequentemente buscam um senso de pertencimento ao chegar ao país, encontrando nas congregações um espaço de acolhimento.
“Somos todos família”, declarou a paraguaia “irmã Clara”, residente na Espanha desde 2019, ao descrever a igreja como uma rede de apoio para imigrantes.
Apesar do crescimento, os relatos de discriminação persistem. A pregadora dominicana Josefa Nava mencionou ter sido multada por evangelizar em espaços públicos. Marcelo de Moura, brasileiro, relatou ter enfrentado rejeição no ambiente de trabalho após sua conversão. Gilberto Miranda sugere que parte dessas adversidades pode estar ligada à percepção negativa voltada a imigrantes latino-americanos.
Kenny Clewett, de uma organização de apoio a migrantes, destacou que grupos religiosos formados por imigrantes e minorias históricas enfrentam desafios de representação social e institucional, segundo informações do jornal O Globo. A Espanha, com forte tradição católica e um histórico de perseguições ao protestantismo, incluindo restrições durante o regime de Francisco Franco, ampliou a liberdade religiosa apenas com a redemocratização.
