Suprema Corte autoriza estados a restringir esportes femininos a meninas

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Suprema Corte autoriza estados a restringir esportes femininos a meninas

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta terça-feira (manhã) que os estados têm a prerrogativa de impedir que indivíduos do sexo masculino que se identificam como feminino participem de competições esportivas para meninas e mulheres. A decisão, proferida no caso State of West Virginia v. B.P.J., fundamenta que tais políticas não violam o Título IX ou a Cláusula de Proteção Igualitária.

Em sua essência, a corte validou o “Save Women’s Sports Act” da Virgínia Ocidental, de 2021, e reafirmou uma lei semelhante do Idaho, a “Fairness in Women’s Sports Act”. A questão central para os ministros foi determinar se as instituições de ensino poderiam definir a elegibilidade para esportes femininos com base no sexo biológico.

Decisão e fundamentação da maioria

O juiz Brett Kavanaugh, autor da opinião majoritária, acompanhado pelos juízes John Roberts, Amy Coney Barrett, Clarence Thomas, Neil Gorsuch e Samuel Alito, afirmou que a resposta à pergunta sobre a base biológica para a participação em esportes femininos é “sim”.

Kavanaugh explicou que o Título IX proíbe a discriminação com base no sexo e que o termo “sexo” não pode ser interpretado de forma plausível para se referir a algo diferente do sexo biológico. Ele acrescentou que as regulamentações do Título IX permitem equipes esportivas separadas justamente por causa das diferenças biológicas entre os sexos.

“As equipes esportivas separadas para homens e mulheres biológicos são razoáveis: Dadas as diferenças físicas inerentes entre os sexos, permitir apenas que mulheres biológicas joguem em equipes de mulheres e meninas pode reduzir o risco de lesões físicas e garantir uma competição justa.”

Votos dissidentes e ressalvas

A juíza Sonia Sotomayor, com o apoio das juízas Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson, apresentou uma opinião concorrente em parte e dissidente em parte. Ketanji Brown Jackson também escreveu uma opinião separada com o mesmo teor.

Sotomayor concordou que a alegação de B.P.J. sob o Título IX falhou, mas discordou da abordagem da maioria em relação à alegação de proteção igualitária. Ela ressaltou que a Cláusula de Proteção Igualitária exige muito mais quando um Estado utiliza uma classificação de sexo para atingir objetivos legislativos, sugerindo que a Virgínia Ocidental poderia ou não atender a essas exigências.

A juíza indicou que, como questões factuais não resolvidas impedem a Corte de avaliar o mérito da alegação de proteção igualitária de B.P.J. no momento, o tribunal deveria permitir que o Tribunal Distrital abordasse essas questões factuais em primeira instância.

Contexto e leis estaduais

Nos últimos anos, aproximadamente metade dos estados dos EUA aprovou leis que proíbem estudantes do sexo masculino que se identificam como feminino de competir em equipes esportivas exclusivamente femininas. A justificativa para essas leis frequentemente cita preocupações com a justiça e a segurança nas competições.

A Suprema Corte ouviu os argumentos orais nos casos do Idaho e da Virgínia Ocidental após tribunais de apelação inferiores emitirem decisões divergentes sobre as leis estaduais, culminando agora nesta decisão unificadora.

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