Pastor John Cao enfrenta câncer em estado avançado na China sem passaporte

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Diagnóstico de câncer em estado avançado aflige pastor chinês John Cao, impedido de deixar a China há anos

Pastor John Cao, um líder cristão chinês que cumpriu pena de sete anos de prisão até 2024, foi diagnosticado com câncer de próstata em estágio avançado e um tumor na coluna. A notícia, divulgada por organizações de defesa dos direitos dos cristãos, reacende a preocupação sobre sua permanência forçada na China e a impossibilidade de se reunir com a família nos Estados Unidos. Cao, que possui residência permanente nos EUA há décadas, aguarda a emissão de um passaporte para retornar.

Ele foi detido em março de 2017 próximo à fronteira entre a China e a Birmânia (atual Mianmar), onde atuava em trabalhos humanitários, incluindo a fundação de escolas e o apoio a comunidades carentes. Posteriormente, foi sentenciado a sete anos de prisão sob a acusação de organizar travessias ilegais de fronteira. Um grupo de trabalho das Nações Unidas chegou a considerar sua detenção uma violação de seus direitos, incluindo a proteção contra discriminação religiosa.

Após ser liberado em março de 2024, Cao permaneceu na China devido à falta de um passaporte que viabilizasse seu retorno aos Estados Unidos. Em abril de 2026, ele solicitou o documento em caráter humanitário. Paralelamente, foi hospitalizado com fortes dores e diagnosticado com a progressão do câncer, incluindo metástase na medula óssea. Sua esposa e filhos viajaram para a China para visitá-lo após anos de separação.

O caso de Cao ocorre em um contexto de restrições religiosas na China. O governo chinês reconhece oficialmente algumas tradições religiosas, mas a atividade religiosa é rigidamente regulamentada. Grupos e líderes que operam fora do sistema estatal podem enfrentar vigilância, detenção, fechamento de locais e processos criminais. A política de “sinização da religião” busca alinhar as práticas religiosas às prioridades políticas e culturais definidas pelo governo, aumentando o controle estatal sobre as comunidades.

A situação de Cao também traz à tona outros casos de religiosos sob restrição, como o do pastor Ezra Jin Mingri. Fundador da Zion Church em Pequim, Jin foi libertado em julho após cerca de nove meses de detenção e viajou aos Estados Unidos. Ele enfrentava acusações criminais relacionadas à liderança de sua igreja não registrada. A libertação de Jin ocorreu após o presidente Donald Trump abordar o caso com o presidente chinês Xi Jinping durante uma visita à China. As autoridades chinesas retiraram as acusações e permitiram a saída do país, um desfecho notável para uma igreja que há anos era alvo de perseguição por se recusar a registrar junto ao governo.

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