Cristãos tunisianos vivem em discrição entre discotecas e risco de extremismo

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Cristãos na Tunísia praticam a fé em silêncio em um país de contrastes entre modernidade e extremismo

A Tunísia apresenta um quadro complexo onde se convivem uma sociedade considerada a mais secularizada do mundo árabe com um expressivo número de recrutas para o Estado Islâmico (ISIS). A comunidade cristã no país opera em grande parte sob um manto de discrição, uma estratégia para garantir segurança em meio a essas aparentes contradições.

Em entrevista, um tunisiano convertido ao catolicismo, que pediu para ser identificado como “Tarek”, descreveu o cenário social como superficialmente religioso. “Seria preciso apenas uma viagem aqui para perceber que isso não é verdade”, comentou ele sobre a impressão de devoção religiosa. Tarek apontou que áreas urbanas exibem um estilo de vida liberal, com mulheres usando roupas reveladoras e a presença constante de bares e discotecas, onde o consumo de álcool é comum e culturalmente aceito, apesar das condenações religiosas.

Ele acrescentou que essa “diluição da fé” é vista por alguns como um mal menor, uma forma de evitar que o país se torne como regiões mais extremistas. Contudo, uma parcela da população tunisiana adota um fervor religioso que pode levar à violência. A Tunísia detém a maior taxa per capita de combatentes do ISIS no mundo. Embora muitos desses combatentes atuem no exterior, ataques ligados ao jihadismo já ocorreram no país.

Apesar de a conversão ao cristianismo ser tecnicamente legal, ela não é socialmente aceita. Tarek relatou casos de investigações policiais sobre católicos tunisianos após frequentarem igrejas. No entanto, ele considera a vigilância e as investigações menos rigorosas na Tunísia em comparação com países vizinhos, como a Argélia, onde igrejas têm sido fechadas em larga escala.

O país impõe restrições significativas à prática cristã. A construção de novas igrejas e o toque de sinos são proibidos. As igrejas existentes, a maioria construída durante o período colonial francês, datam de antes da independência em 1956, e muitas funcionam hoje como sítios históricos. Estima-se que existam cerca de 10 igrejas católicas ativas, enquanto templos protestantes visíveis são raros, com muitos protestantes nativos reunindo-se em igrejas domésticas em uma zona legal ambígua e sujeita à fiscalização oficial.

Apesar da aparente aversão de muitos tunisianos ao cristianismo, Tarek acredita que menos de 10% aprovariam a violência contra cristãos. Ele sugere que a maioria se oporia a ataques, em parte para não prejudicar a importante indústria do turismo do país. Essa dinâmica cria um entendimento tácito para a comunidade cristã: “Adorar em silêncio, não crescer, e você estará seguro”, resumiu Tarek.

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