Pesquisa indica que 94% dos pastores protestantes nos EUA temem interpretação equivocada da Bíblia pela inteligência artificial
Uma pesquisa conduzida pelo Barna Group revelou uma preocupação generalizada entre líderes religiosos protestantes nos Estados Unidos: 94% dos pastores temem que a inteligência artificial (IA) possa interpretar as Escrituras de maneira errada. O receio também se estende à população em geral, com 83% dos cristãos praticantes e 74% dos adultos americanos expressando receios semelhantes.
Apesar das preocupações, a pesquisa do Barna Group, parte da série Faith & AI, aponta que a maioria dos líderes religiosos não advoga pela exclusão da IA nos estudos bíblicos. Em vez disso, a tecnologia é vista predominantemente como uma ferramenta de apoio, capaz de apresentar diversas interpretações sem a pretensão de definir qual delas é a correta.
De acordo com o levantamento, 60% dos pastores entrevistados acreditam que a IA deveria expor as principais vertentes interpretativas de passagens bíblicas, detalhando suas diferenças. Uma parcela menor, apenas 10%, preferiria que a tecnologia indicasse a interpretação que considera mais precisa.
Entre os cristãos praticantes, as opiniões se dividem: 26% defendem que a IA apresente diferentes perspectivas, enquanto outros 26% gostariam que ela apontasse a interpretação mais adequada. Daniel Copeland, vice-presidente de pesquisa do Barna, destacou que os dados demonstram uma preferência dos pastores em utilizar a IA como um instrumento para o aprendizado.
“Essa abordagem aponta para o uso da IA como uma ferramenta para auxiliar o aprendizado, não para dizer a eles o que pensar”, afirmou Copeland.
A pesquisa também abordou a valorização da transparência em temas controversos. Cerca de 32% dos pastores indicaram que a IA deveria citar explicitamente as divergências entre estudiosos e as fontes utilizadas nos debates. Uma minoria considerou que a IA deveria evitar temas controversos ou não opinar em questões onde teólogos divergem.
Copeland acrescentou que os resultados sugerem que os líderes religiosos percebem um espaço para a tecnologia no estudo bíblico, desde que ela sirva para expandir a compreensão do usuário e não para substituir o processo interpretativo humano.
Pesquisas anteriores da série Faith & AI já indicavam um engajamento com a tecnologia, com 44% dos cristãos praticantes utilizando IA em suas vidas pessoais, em comparação com 31% dos adultos americanos em geral. Aproximadamente um terço dos cristãos também recorreu à IA para questões espirituais ou relacionadas à Bíblia recentemente.
A pesquisa ouviu 1.514 adultos americanos em novembro de 2025 e 442 pastores protestantes em dezembro do mesmo ano.
