Autoridades paquistanesas revelam que a maioria dos casos de blasfêmia registrados nos últimos cinco anos é forjada, afetando cristãos e minorias religiosas.
Um relatório alarmante apresentado por autoridades do Paquistão à Comissão Funcional de Direitos Humanos do Senado expôs que grande parte dos 333 casos de blasfêmia documentados nos últimos cinco anos foram fabricados. Essa descoberta tem implicações significativas para as comunidades cristãs e outras minorias religiosas no país.
Durante uma reunião da comissão, secretários de segurança pública e altos funcionários da polícia informaram que muitas acusações de blasfêmia são motivadas por vinganças pessoais e disputas familiares. O diretor de processos judiciais de Khyber Pakhtunkhwa, Zeeshan Afridi, ilustrou essa situação com um caso em que filhos acusaram o pai de blasfêmia após uma discussão doméstica, evidenciando como a lei pode ser usada em conflitos privados.
Os dados divulgados indicam que 56% dos acusados de blasfêmia são muçulmanos, enquanto 14% pertencem a comunidades religiosas minoritárias, incluindo cristãos. A província de Sindh, por exemplo, registrou 96 casos de profanação do Alcorão, com 29 casos sob a Seção 295-C, a mais aplicada. A polícia de Sindh relatou que diversos desses casos foram arquivados por falta de provas.
A senadora Samina Mumtaz Zehri, que presidiu a reunião, enfatizou a necessidade de uma investigação aprofundada sobre o abuso da lei de blasfêmia. Essa lei, que criminaliza insultos ao profeta Maomé, é frequentemente criticada por ser utilizada para perseguir minorias e silenciar vozes dissidentes, colocando em risco a liberdade religiosa e a vida de indivíduos acusados injustamente.
A crescente percepção de que muitos casos são fabricados pode impulsionar reformas na legislação de blasfêmia paquistanesa. A pressão internacional e o apoio de organizações de direitos humanos são considerados cruciais para promover mudanças que garantam a proteção das minorias religiosas e a liberdade de expressão no país.
