Finlândia adota estratégia de segurança nacional abrangente e prepara população para crises em tempos de paz e guerra
A Finlândia desenvolveu uma cultura de longa data focada em resiliência e preparação para crises, integrando a defesa em todos os níveis da sociedade. Essa abordagem, moldada por uma história marcada por conflitos e uma extensa fronteira com a Rússia, visa garantir a segurança nacional e fortalecer a OTAN. Anna Lehtiranta, do Departamento de Resgate da Cidade de Helsinque, explicou que a população está acostumada com o uso de instalações subterrâneas, como abrigos de defesa civil, que funcionam como espaços para atividades cotidianas em tempos de paz.
Essa filosofia de preparo é vista como algo intrínseco à identidade finlandesa. “O preparo é algo que acontece de forma normal, está em nossos genes, então continuamos nos preparando para emergências, mesmo durante os anos de paz”, comentou Lehtiranta durante uma visita de estudo da CBN News. A necessidade de vigilância constante decorre da geografia, com aproximadamente 1.200 quilômetros de fronteira compartilhada com a Rússia e um histórico de guerras.
Sari Rautio, Diretora-Geral do Departamento Euro-Atlântico do Ministério das Relações Exteriores da Finlândia, destacou que a segurança e defesa nacionais dependem de uma abordagem coletiva. “Somos uma nação pequena, precisamos de uma defesa forte, forças de defesa, mas isso não é suficiente. Então, decidimos que todos os setores da sociedade, todos os setores do governo, na verdade, participassem da construção de uma segurança abrangente”, afirmou.
Essa inclusão se estende à educação básica, onde a preparação para crises, resiliência emocional e literacia midiática são parte integrante do currículo. Um professor da Kivi Comprehensive School ressaltou a importância de formar opiniões próprias desde cedo. “A parte mais forte da nossa educação é que você deve gerar sua própria opinião. Então não confie na opinião dos outros, você deve gerar sua própria opinião, e eu acho que desde jovens focamos nisso”, disse à CBN News.
O serviço militar obrigatório para homens, com a opção de voluntariado para mulheres, contribui para a formação de uma das maiores forças de reserva da Europa, com cerca de 80% da população pronta para defender o país. A segurança finlandesa também abrange as águas estratégicas do Mar Báltico, onde a guarda costeira monitora intensamente o tráfego marítimo.
O Capitão Mikko Simola, Comandante da Guarda Costeira Finlandesa, observou que o ambiente de segurança mudou drasticamente com a invasão da Ucrânia pela Rússia. Preocupações com interferência de GPS, atividades de frotas ocultas e ameaças à infraestrutura submarina tornaram-se mais proeminentes. “Sempre que nossas unidades de barco saem para uma missão, precisamos estar preparados para que, mesmo durante uma única tarefa, possamos ter que pular de uma operação de segurança para o uso de poderes de aplicação da lei, como uma operação de aplicação da lei ou até mesmo para o uso da força militar”, relatou.
A capacidade de adaptação rápida é um pilar da filosofia de defesa finlandesa. Rautio enfatizou a importância da população estar ciente de como melhorar sua segurança e não apenas esperar pela intervenção governamental. “Você pode ver isso na Ucrânia, se as pessoas entendem o que podem fazer para melhorar sua segurança e não apenas esperar que o governo venha em seu serviço, podemos confiar que a sociedade como um todo pode sobreviver”, disse.
A Finlândia é vista como um modelo para outras nações que buscam fortalecer suas defesas. Líderes finlandeses acreditam que a preparação de sua população não só aumenta a segurança interna, mas também contribui significativamente para o fortalecimento da OTAN como um todo.
