Amazon vive renascimento evangélico histórico com milhares de novos fiéis

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Amazônia brasileira vive um expressivo renascimento evangélico com milhares de novos convertidos

Uma profunda transformação espiritual está em curso na região amazônica do Brasil, onde o cristianismo evangélico tem ganhado força e reconfigurado o panorama religioso, historicamente dominado pela Igreja Católica. A expansão resulta em um número crescente de novos fiéis e estabelecimentos de igrejas.

Residentes locais relatam a importância da fé em suas vidas. Para muitos, como o morador de 83 anos Ramos, que vive em sua casa flutuante de bambu às margens do Rio Amazonas, Deus é central. “Deus é tudo para mim. Deus é meu pai e sem Jesus eu não sou nada”, declarou Ramos, que se recusa a trocar sua residência por uma vida urbana.

O pastor Josué Bengtson, da Igreja do Evangelho Quadrangular de Belém, acompanha há décadas a expansão da mensagem evangélica pelos rios da região. Ele recorda os desafios iniciais de sua atuação. “Aqueles dias iniciais foram definitivamente muito, muito mais difíceis do que hoje”, afirmou Bengtson. “Na época em que começamos a evangelizar nesta região, tínhamos apenas alguns obreiros e, em alguns municípios, os pastores precisavam caminhar de 10 a 15 km para abrir uma congregação. Hoje, quase todas as igrejas de médio porte na Amazônia têm um pequeno barco.”

Bengtson auxiliou na fundação de uma das primeiras igrejas Quadrangulares na Amazônia. Atualmente, ele estima a existência de 3.200 congregações Quadrangulares na região. A igreja tem apresentado números expressivos de batismos. “Nos primeiros seis meses deste ano, batizamos 14.500 pessoas. Nosso objetivo para este ano é batizar mais de 30.000 pessoas”, disse Bengtson, que testemunhou um batismo em massa no Rio Amazonas com centenas de pessoas professando sua fé.

Esequiel Santo, que dedicou 32 anos como missionário no interior da selva, relata o chamado divino para alcançar os povos isolados. “Eu tinha 15 anos quando Deus me chamou para alcançar os povos não alcançados da Amazônia”, contou Santo. Ele destacou os desafios do isolamento, mas também as transformações vivenciadas. “Um dos maiores desafios era o isolamento e me acostumar a viver entre as comunidades indígenas ou ribeirinhas. Mas Deus estava conosco no trabalho, vimos vidas sendo transformadas, tanta gente ouviu o evangelho e agora estamos vendo os frutos.”

A chegada aos locais de trabalho podia ser demorada e árdua, especialmente para aqueles que não podiam arcar com passagens aéreas. “Eu sou do Rio de Janeiro e, na época, como não conseguia pagar a passagem de avião, tinha que pegar uma viagem de ônibus de 6 dias até Belém. De lá, fui de barco por mais seis dias até as proximidades da bacia amazônica”, relatou Santo. “Uma vez lá, levava pelo menos 15 dias de canoa, não de barco motorizado, para remar pelo Rio Solimões e pelo Rio Purus, até chegarmos às comunidades remotas onde trabalhávamos. Às vezes, levava 35 dias apenas para chegar a essas áreas remotas.”

O sociólogo brasileiro José Eustaquio Alves aponta que a estrutura das igrejas evangélicas na região se beneficia da presença de pastores ou missionários de longo prazo. “A Igreja Católica tem muita dificuldade em formar novos padres, então é muito comum ver Igrejas Católicas na Amazônia, mas não padres suficientes para liderar congregações”, observou Dr. Alves. “Um padre vai uma vez por mês ou uma vez por semestre à Amazônia e está muitas vezes longe da comunidade. Os evangélicos, por outro lado, treinam rapidamente pastores que se integram à comunidade e permanecem por muito tempo.”

Alves considera o movimento um reflexo do avivamento esperado para o Brasil. “Eu acho que o avivamento que estávamos esperando aqui no Brasil está acontecendo na Amazônia”, disse Alves. A senadora brasileira e pastora evangélica Damares Regina Alves vê o movimento como um milagre que está transformando não apenas as práticas espirituais, mas também promovendo um senso de comunidade e empoderamento. “Por muitos anos, as pessoas olhavam para a Amazônia e viam apenas rios e árvores. Hoje, as pessoas estão começando a se lembrar que existem pessoas vivendo lá que precisam ser cuidadas, precisam ouvir o evangelho e cujas vidas precisam de uma transformação. A igreja está fazendo essa revolução acontecer”, declarou a senadora.

Equipes de igrejas de grandes cidades brasileiras enviam voluntários para a região, realizando missões educacionais, humanitárias e médicas. Essas ações frequentemente introduzem a mensagem do evangelho às comunidades. Pastores, missionários e outros envolvidos na obra acreditam que essa mudança religiosa é um movimento que promete redefinir o cenário espiritual e social da Amazônia para as futuras gerações.

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