Estados Unidos manifestam forte repúdio a ataques sangrentos atribuídos ao ADF no leste da República Democrática do Congo, que resultaram em dezenas de mortes em poucos dias e intensificam preocupações sobre a segurança na região.
A comunidade internacional, através de Washington, condenou veementemente os recentes atos de violência perpetrados pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF) na República Democrática do Congo. Os ataques, que ocorreram entre os dias 5 e 6 de maio, conforme relatado pela organização da sociedade civil Mamove, vitimaram civis em diversas localidades na província de Kivu do Norte e Ituri, totalizando 24 mortos em um período de dois dias.
A brutalidade se intensificou em Biakato, onde 20 pessoas foram massacradas em plena luz do dia no dia 7 de maio. Estes eventos levaram Massad Boulos, conselheiro sênior para a África do Departamento de Estado dos EUA, a se manifestar sobre a gravidade da situação.
“O Estado Islâmico na RDC realizou ataques brutais contra civis no leste da RDC, incluindo violência direcionada a comunidades cristãs”, declarou Massad Boulos em sua conta na rede social X, em 7 de maio. Ele acrescentou que os Estados Unidos estendem suas mais profundas condolências às famílias das vítimas, ressaltando que os ataques relatados em Beni, na noite de 5 a 6 de maio, evidenciam a urgência da ameaça.
Boulos reafirmou o comprometimento dos Estados Unidos em trabalhar junto à RDC e seus vizinhos para promover paz e prosperidade na região dos Grandes Lagos. A declaração destacou a solidariedade aos cristãos que enfrentam violência e perseguição.
A República Democrática do Congo tem sido palco de ataques terroristas recorrentes por parte do ADF nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, especialmente nas áreas de Beni, Lubero, Irumu e Mambasa. Esses militantes, que declararam lealdade ao grupo autoproclamado Estado Islâmico, são responsáveis pela morte de civis há mais de uma década.
A escalada da violência persiste mesmo com as operações militares conjuntas entre os exércitos congolês e ugandense, iniciadas em maio de 2021. A questão tem sido um ponto central nas discussões políticas em Kinshasa, com o presidente da Assembleia Nacional, Aimé Boji, instando o governo a dar maior atenção ao problema do ADF e a integrá-lo em engajamentos internacionais.
Boji sugeriu inclusive que a questão do ADF fosse discutida com os Estados Unidos, que são garantidores dos Acordos de Washington. Um relatório recente da Anistia Internacional, intitulado “Eu nunca tinha visto tantos corpos: crimes de guerra cometidos pelas Forças Democráticas Aliadas no leste da RDC”, detalha os ataques violentos, incluindo sequestros, trabalho forçado, recrutamento e uso de crianças, com ênfase em abusos contra mulheres e meninas.
Em consequência da instabilidade, muitas pessoas têm deixado suas vilas em busca de cidades maiores consideradas mais seguras, enfrentando agora desafios como a fome e outras dificuldades decorrentes dessa nova realidade.










