Miss America altera contrato e volta a definir “mulher” com base em cromossomos após polêmica com candidata
A Miss America Organization modificou o texto de seu contrato para esclarecer a definição do que constitui uma mulher após uma controvérsia envolvendo a vencedora do concurso Miss North Florida 2025, Kayleigh Bush. A organização havia definido “mulher” de forma que críticos alegavam permitir a participação de homens biológicos no concurso, desde que tivessem passado por cirurgia genital.
A mudança na linguagem do contrato ocorreu após Bush, que foi coroada em agosto de 2024, expressar objeções à definição apresentada, citando suas crenças religiosas. Segundo o grupo jurídico sem fins lucrativos Liberty Counsel, a Miss America Organization (MAO) revisou o contrato depois da vitória de Bush. A organização religiosa enviou duas cartas de demanda à MAO, argumentando que Bush deveria receber sua bolsa de estudos, um dos benefícios do título.
O Procurador-Geral da Flórida, James Uthmeier, também enviou uma carta ao Miss America Pageant, alertando que a organização poderia estar violando a lei estadual de publicidade enganosa ao promover um concurso exclusivo para mulheres, mas permitir a competição de homens biológicos com disforia de gênero. Uthmeier criticou publicamente a situação, afirmando que a candidata foi forçada a competir contra homens e que isso era enganoso e poderia infringir a lei da Flórida.
A nova definição do contrato especifica “mulher biológica” como uma pessoa que possui “dois cromossomos x”. A redação original que Bush se recusou a assinar definia “Mulher” como “uma nascida mulher ou um indivíduo que completou totalmente a Cirurgia de Redefinição Sexual (de homem para mulher) com documentação médica e registros de apoio”.
A nova redação, conforme reportado pela Liberty Counsel, agora declara: “A candidata deve ser uma mulher nascida. ‘Mulher’ significa uma mulher nascida ou um indivíduo intersexo feminino (definido como alguém que nasceu com dois cromossomos x e genitália não conformista), que completou totalmente a Cirurgia de Redefinição Sexual via Vaginoplastia com documentação médica e registros de apoio”.
Embora a nova linguagem mencione a rara circunstância de genitália ambígua, a Liberty Counsel considera a definição aceitável, pois não sugere mais que homens possam se tornar mulheres. Mallory Hudson, gerente de comunicação da Miss America HQ, confirmou a mudança ao Washington Times, afirmando que a política de elegibilidade de gênero foi atualizada no final de 2024 e revisada novamente em 2026 para garantir consistência, transparência e respeito a todos os indivíduos que atendem às qualificações.
Stuart Moskovitz, advogado da Miss America, contesta a caracterização de Kayleigh Bush sobre a situação, atribuindo a responsabilidade à própria candidata por não aceitar o contrato. Moskovitz afirmou que Bush não teve seu título nem sua bolsa de estudos negados, mas sim que ela escolheu se autopromover com um “problema fabricado” em vez de assinar o contrato e competir. Ele argumenta que Bush não cumpriu os requisitos necessários para avançar na competição, pois não possuía nenhuma relação contratual com a Miss America e sua falha em executar o acordo padrão a tornou inelegível.
Moskovitz também acusa a Liberty Counsel e o Procurador-Geral da Flórida de fazerem declarações falsas. Em um comunicado anterior, o fundador e presidente da Liberty Counsel, Mat Staver, elogiou a decisão do concurso de revisar os requisitos, removendo a “declaração ridícula” de que um menino poderia ser uma menina. No entanto, Moskovitz discorda que a definição do Miss America Pageant tenha sido alterada como Staver sugere, afirmando que a política não mudou como resultado das alegações de Bush, mas apenas que a linguagem foi clarificada para evitar dúvidas sobre a intenção original, que era impedir a participação de homens na competição.
