Jornalista nigeriano absolvido após caso de anos sobre reportagem de violência contra cristãos
Um jornalista nigeriano foi absolvido de acusações criminais relacionadas à difamação, encerrando um caso legal que se arrastava há anos. Luka Binniyat foi preso em novembro de 2021 após a publicação de um artigo no The Epoch Times que investigava a violência religiosa na região do Cinturão Central da Nigéria, incluindo o estado de Kaduna.
O artigo, intitulado “Na Nigéria, a polícia lamenta massacres como ‘perversos’, mas não faz prisões”, citou o senador nigeriano Danjuma Laah criticando Samuel Aruwan, comissário de segurança interna e assuntos internos de Kaduna. Laah acusou o governo estadual de usar Aruwan, um cristão, para semear confusão e encobrir um genocídio em andamento no sul cristão de Kaduna, descrevendo um ataque a agricultores cristãos como um mero “conflito” em vez de violência direcionada.
Acusações e detenção
Inicialmente, Binniyat foi acusado de cyberstalking contra Aruwan. Ele permaneceu detido por 84 dias antes de ser libertado em janeiro de 2022, embora o caso contra ele permanecesse ativo. A decisão que o absolveu veio em maio de 2026, mais de quatro anos após sua prisão, pela Corte Federal de Kaduna.
A corte determinou que não havia “evidências para provar os elementos essenciais da suposta ofensa” e classificou as evidências da promotoria como “manifestamente não confiáveis”.
Libertação e reflexões
“Sou grato por ter sido libertado e pelas acusações contra mim terem sido descartadas”, declarou Binniyat. “No entanto, minha experiência mostra que há muito trabalho a ser feito na Nigéria em relação à proteção da liberdade de expressão, especialmente quando se trata de falar sobre liberdade religiosa e reportar honestamente sobre o que realmente está acontecendo com os cristãos no país.”
Binniyat expressou preocupação com o fato de ter sido preso por realizar seu trabalho jornalístico. Ele ressaltou a importância da liberdade de imprensa para cobrir a crise enfrentada pelos cristãos na Nigéria. Sean Nelson, conselheiro sênior de liberdade religiosa global na ADF International, concordou, afirmando que Binniyat simplesmente “citou com precisão as próprias palavras de um legislador nigeriano”.
“Esta decisão é uma vindicação para Luka, mas também deve servir como um alerta: reportagens precisas sobre atrocidades não são crime, e jornalistas que cobrem perseguições religiosas merecem proteção, não processo”, disse Nelson. “Em toda a Nigéria, cristãos estão sendo massacrados por sua fé.”
Contexto da violência na Nigéria
A Nigéria tem enfrentado anos de violência que afeta predominantemente comunidades agrícolas cristãs no Cinturão Central, enquanto grupos extremistas islâmicos como Boko Haram e o Estado Islâmico continuam seus ataques no norte do país. A violência é complexa, envolvendo fatores étnicos, disputas por terra e recursos, além de motivações religiosas.
Em um contexto anterior, o então presidente Donald Trump designou a Nigéria como “País de Preocupação Particular” (CPC), citando o que ele descreveu como uma ameaça “existencial” aos cristãos por parte de grupos terroristas islâmicos radicais e pastores radicalizados.
A absolvição de Binniyat representa uma vitória para a liberdade de imprensa e um lembrete das dificuldades enfrentadas por jornalistas que buscam reportar sobre conflitos sensíveis e questões de direitos humanos em diversas partes do mundo.
