Conselho Mundial de Igrejas manifesta apoio e preocupação com interferência governamental na Armênia
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) se pronunciou em apoio à Igreja Apostólica Armênia em meio a um prolongado conflito com o governo da Armênia. Em uma declaração conjunta, o CMI expressou preocupação com a “influência indevida” sobre os assuntos internos da igreja, reafirmando o papel vital da instituição na vida armênia.
Em um momento de crescentes tensões, o CMI, como uma comunhão global de igrejas, “afirma o papel vital da Igreja Apostólica Armênia na vida espiritual, cultural e histórica do povo armênio e na família cristã mais ampla”. A organização também declarou que “expressamos nossa preocupação com a interferência indevida em assuntos internos da igreja” e que “sustentamos a Igreja Armênia e seu povo em oração e apoio durante este tempo”.
Intensificação das tensões e acusações mútuas
As tensões se intensificaram no final de maio de 2025. Na ocasião, o Primeiro-Ministro Nikol Pashinyan e seus aliados acusaram Karekin II, Patriarca Supremo e Catholicos de Todos os Armênios, de quebrar seu voto de celibato, passando a se referir publicamente a ele por seu nome de nascimento. Pashinyan, posteriormente, exigiu a renúncia de Karekin II, e a substituição do líder religioso tornou-se parte da plataforma eleitoral do partido governante Civil Contract.
Seguidores da igreja relataram que entre um terço e metade de seus bispos foram detidos durante o conflito. Além disso, Karekin II teria sido impedido de deixar a Armênia. Críticos compararam as ações de Pashinyan às de líderes autoritários da era soviética.
Defesa do governo e acusações contra a igreja
Por outro lado, Pashinyan argumentou que suas ações visam proteger a Igreja Apostólica Armênia de forças “anticristãs” e “antiestatais”. O governo armênio acusou figuras seniores da igreja de apoiar esforços para remover o governo democraticamente eleito da Armênia por meios violentos e de apoiar chamados ao assassinato de oficiais do governo.
Um dos casos mais proeminentes foi o do Arcebispo Mikael Ajapahyan, que recebeu uma sentença de dois anos de prisão em setembro de 2025. Ele foi acusado de promover a derrubada do governo por meios não democráticos. Os promotores citaram várias declarações de Ajapahyan que, segundo eles, pareciam defender um golpe como justificativa para seu encarceramento.
Desenvolvimentos recentes e processo judicial
O desenvolvimento mais recente ocorreu em 7 de agosto de 2026, quando Karekin II compareceu ao tribunal juntamente com seis clérigos seniores. Eles enfrentam acusações de terem ignorado uma ordem para reintegrar o Bispo Gevorg Saroyan (agora conhecido por seu nome secular, Arman Saroyan) após sua remoção do cargo e subsequente defrocação por Karekin II. Os clérigos podem enfrentar até dois anos de prisão, caso condenados.
A audiência, realizada em Vagharshapat, onde está localizada a Mãe Sede de Santa Etchmiadzin, foi encerrada logo após sua abertura, pois o juiz Hakob Manukyan se declarou impedido. Em uma declaração citada pela Azatutyun, Karekin II lamentou que “nossa Santa Igreja e seu clero estão sendo perseguidos pelas autoridades, com casos criminais ilegais e fabricados levando à detenção e restrições à liberdade de vários de nossos clérigos, benfeitores nacionais e outros indivíduos devotados à igreja”.
O Conselho Mundial de Igrejas, ao se posicionar neste conflito, demonstra a complexidade das relações entre instituições religiosas e governos, especialmente em contextos onde acusações e disputas de poder se entrelaçam.
