Neurociência corrobora o potencial das escrituras sagradas para a cura da saúde mental com esperança de transformação
Um a cada cinco americanos enfrenta problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade ou dependência química. O neurocirurgião W. Lee Warren compartilha sua jornada de cura, integrando sua fé cristã com descobertas recentes da neurociência, após superar o transtorno de estresse pós-traumático decorrente de sua atuação em um hospital de campanha no Iraque e da perda de seu filho.
Warren, que descreve sua experiência e métodos em seu livro “The Life-Changing Art of Self-Brain Surgery”, explica que os primeiros passos para o bem-estar emocional foram dados ao explorar a neuroplasticidade. Este processo, que reconecta o cérebro de acordo com os pensamentos mais frequentes, ocorre continuamente. “Essa neuroplasticidade acontece em todos os momentos da sua vida, quer você a esteja dirigindo ou não”, disse Warren.
A repetição de pensamentos, sejam positivos ou negativos, altera a comunicação entre os neurônios, fortalecendo padrões mentais. Indivíduos que lidam com ansiedade ou depressão crônicas tendem a reforçar essas conexões cerebrais. “Se você sempre esteve ansioso ou com medo, ou passou por algo difícil que o tornou mais deprimido, seu cérebro continuará recriando sinapses que reforçam esse mesmo processo de pensamento”, detalhou o neurocirurgião.
Diante dessa compreensão, Warren mudou seu foco, passando a valorizar as bênçãos em sua vida em vez de se concentrar na tristeza e na perda. Esse exercício mental, alinhado com preceitos bíblicos como Filipenses 4, que sugere a prática da gratidão para reduzir a ansiedade, mostrou-se eficaz. “E aprendemos que isso agora é verdade também do lado da neurociência”, acrescentou.
O especialista ressalta que muitas pessoas infelizes acreditam erroneamente que não podem mudar. Ele cita 2 Coríntios 10:5 para encorajar a submissão dos pensamentos: “Leve cativo todo pensamento para fazê-lo obediente a Cristo.” O cérebro está apto a se modificar assim que a pessoa decide alterar seu foco mental. “Você foi projetado para curar, e há uma esperança tremenda nisso”, afirmou Warren.
Segundo Warren, um padrão de pensamento grato e esperançoso, inspirado por passagens bíblicas como Efésios 4 e Romanos 12, contribui para uma melhor saúde física, incluindo a redução da pressão arterial e de doenças crônicas, além de aprimorar a fala e o comportamento.
O impacto dos padrões de pensamento se estende às pessoas ao redor, devido ao sistema de neurônios-espelho. “Outras pessoas captam seu estado emocional e começam a fazer mudanças estruturais em seus cérebros para espelhar como você está se sentindo e se comportando”, explicou.
A epigenética, descoberta recente que demonstra como o estresse e traumas podem ser herdados, também foi mencionada. Estudos com sobreviventes do Holocausto e de outras experiências traumáticas revelaram que suas vivências alteraram a expressão de seus genes, com efeitos transmitidos até para netos. Contudo, essas mudanças não são definitivas. “Seus filhos e os filhos deles podem nascer com respostas normais ao estresse”, observou Warren, destacando a possibilidade de mudar o futuro familiar através do trabalho pessoal de reconfiguração mental.
Esse trabalho, conforme descrito em seu livro, envolve atenção aos pensamentos, identificação dos prejudiciais e substituição por aqueles que se alinham com a vontade divina. “Esperança é definida como ter agência e oportunidade, e você tem ambas porque Deus construiu seu sistema nervoso para ser operado de forma a ajudá-lo e não prejudicá-lo assim que você estiver pronto para mudar sua forma de pensar”, concluiu.
