Representantes de igrejas nos EUA buscam manter o status de proteção temporária para imigrantes e pedem maior clemência contra detenções em massa
Líderes pentecostais reuniram-se na terça-feira, em Washington, para exigir que o governo dos Estados Unidos estenda o Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês) destinado a cidadãos de El Salvador. O movimento, relatado pelo portal Christianity Daily, ocorre em um momento crítico, próximo ao prazo final que ameaçava o status legal e a autorização de trabalho de cerca de 170 mil salvadorenhos.
A mobilização foi organizada pela Confraternidade de Entidades Pentecostais das Américas (CEPA), organização que representa aproximadamente 21 mil igrejas em 36 estados americanos. Além do TPS, o grupo manifestou preocupação com o aumento da detenção e deportação de famílias imigrantes, incluindo casos envolvendo pastores ligados à instituição.
O bispo Ángel Marcial, presidente da CEPA, ressaltou o caráter do encontro. “Estamos falando de uma resposta pastoral acompanhada por uma voz profética que é necessária nestes tempos.”
Após a pressão, autoridades federais indicaram que os salvadorenhos manterão o benefício temporariamente enquanto a administração avalia os próximos passos. A rede pentecostal argumenta, fundamentada em interpretações bíblicas, que a autoridade civil possui limites éticos e que a justiça deve ser exercida com compaixão.
Demandas por proteção e direitos humanos
Durante a conferência de imprensa no Hyatt Regency Washington, os líderes pediram a proteção de espaços como igrejas, escolas e hospitais contra ações de fiscalização imigratória. O bispo Jose Martinez Rincon defendeu um equilíbrio entre a segurança das fronteiras e o tratamento humanitário aos deslocados.
“Nós buscamos motivar em direção à segurança de nossas fronteiras, para que as leis sejam seguidas e, ao mesmo tempo, que haja compaixão e dignidade expressas na Palavra de Deus em relação aos necessitados e às pessoas deslocadas.”
Jacqueline Fuentes, filha de um pastor detido em Indiana no mês anterior, também participou do ato em nome das famílias afetadas pelas políticas atuais. Ela destacou o impacto direto da separação familiar na vida de milhares de filhos de cidadãos americanos.
“Peço em nome da minha família e daquelas que também estão sendo afetadas pelas atuais políticas de imigração nos Estados Unidos, que sejam libertadas da detenção e possam retornar às suas comunidades. Não é apenas a minha família; existem milhões de famílias que têm filhos cidadãos americanos como eu”, afirmou.
Encerrando as solicitações, o bispo Juan Garcia, diretor de ministérios hispânicos da Igreja de Deus, reiterou o pedido por uma extensão de pelo menos dois anos para a proteção dos salvadorenhos e a restauração do TPS para haitianos. Segundo ele, o objetivo é garantir que as famílias tenham tempo hábil para se preparar e evitar separações desnecessárias.
