Os perigos de atuar em uma região onde a pregação do evangelho enfrenta forte oposição legal e ameaças constantes à vida dos fiéis
Viver e pregar o evangelho na Somalilândia exige coragem frente a um sistema que criminaliza a fé cristã. Em entrevista concedida à International Christian Concern (ICC), uma missionária identificada como Rebekah compartilhou sua rotina de trabalho em um país onde a conversão pode resultar em ostracismo familiar, prisão ou até mesmo na morte.
Rebekah está no país desde novembro de 2021. Ela relata que a maior dificuldade é a impossibilidade de compartilhar abertamente as escrituras, visto que a prática é ilegal. A construção de relacionamentos de confiança é um processo lento, muitas vezes limitado por uma vigilância constante, especialmente sobre as mulheres, que vivem sob rígido controle masculino.
Desafios e a dinâmica da perseguição
A missionária, que integra uma equipe composta por outros quatro casais, descreve a realidade local como um campo de batalha espiritual. “A maior dificuldade não é poder compartilhar o evangelho livremente. É contra a lei da terra. Leva-se muito tempo construindo confiança e amizades antes de ter liberdade para compartilhar o evangelho em sua totalidade”, afirmou Rebekah.
O impacto da fé na vida dos somalis é severo, conforme detalhado na entrevista:
- Desamparo por parte das famílias;
- Riscos de prisão;
- Ameaças de morte por desonrar a tradição familiar;
- Necessidade de abandonar o lar e romper laços afetivos.
A própria Rebekah já enfrentou detenções breves por compartilhar sua fé e teve amizades interrompidas devido à sua atividade missionária. No entanto, ela destaca que o apoio financeiro da organização tem sido fundamental para o custeio de aulas de idioma e para a hospitalidade, permitindo a recepção de interessados em sua residência para a leitura da Bíblia.
Diferenças regionais e esperança
Diferente da Somália, que possui reconhecimento internacional e presença do al-Shabab, a Somalilândia é descrita como uma região mais pacífica, embora sofra com a falta de investimento internacional devido à ausência de reconhecimento diplomático. Segundo a missionária, essa instabilidade econômica torna o país extremamente pobre, mas abre janelas de oportunidade para o trabalho de campo.
“Minha fé tem sido continuamente testada, mas também fortalecida. Às vezes duvidei, mas sempre o Senhor abriu um caminho e proveu graça suficiente, dia após dia”, ressaltou.
Apesar da hostilidade, Rebekah observa frutos em seu trabalho, como conversões e libertações. Ela encerra a entrevista pedindo orações pela liberdade religiosa no país e pela coragem dos novos convertidos, acreditando que, eventualmente, o cenário local será transformado.
