Supremo dos EUA prorroga prazo para decidir sobre acesso à pílula abortiva e seus riscos à saúde feminina
A Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu um novo adiamento na decisão que pode restringir a disponibilidade da mifepristona, medicamento utilizado em abortos. A corte estendeu o próprio prazo para analisar o caso, que agora permite que a substância continue acessível até quinta-feira às 17h. A decisão atual visa dar tempo para a análise das opções disponíveis.
A Corte de Apelações do Quinto Circuito havia inicialmente bloqueado a entrega postal da pílula abortiva no dia 1º de maio. Em resposta, grupos favoráveis ao aborto solicitaram a intervenção da Suprema Corte, que estabeleceu uma suspensão de uma semana sobre a decisão do Quinto Circuito. Agora, o juiz Samuel Alito estendeu esse impedimento temporariamente.
O caso em questão questiona as regras da administração Biden que permitem o uso da droga sem a necessidade de uma consulta médica presencial. Além disso, as normas atuais autorizam o envio da mifepristona por correio, mesmo em estados com restrições ao aborto, contornando assim as leis locais.
Estudos recentes apontam para os riscos associados ao uso da mifepristona. Uma análise divulgada em 2025, baseada em dados de mais de 865.000 mulheres, indicou que a droga pode ser significativamente perigosa, expondo pacientes a complicações graves. O Ethics and Public Policy Center (EPPC) compilou dados que revelaram efeitos adversos sérios em uma parcela considerável das mulheres.
Quase 11% dos casos documentados resultaram em complicações como sepse, infecção, hemorragia ou outros eventos adversos graves em até 45 dias após a ingestão do medicamento. Adicionalmente, mais de 5% das mulheres necessitaram de um segundo procedimento abortivo, pois a pílula inicial não foi totalmente eficaz. Esse índice corresponde a 45.498 mulheres que precisaram de um novo aborto, sendo que 24.563 delas recorreram a um procedimento cirúrgico.
Em face dessas descobertas, os autores do estudo, Ryan Anderson e Jamie Bryan Hall, fizeram um apelo contundente. Eles urgem a FDA a restabelecer protocolos de segurança mais rigorosos para os pacientes e a reconsiderar a aprovação da mifepristona. A pesquisa conclui que, em condições de uso real, a mifepristona não se mostra ‘segura e eficaz’.
Outra análise encomendada pela Foundation for the Restoration of America revelou que cerca de 11,2% das mulheres enfrentaram eventos adversos críticos em 2023. Essas complicações podem incluir hemorragias, a necessidade de transfusões de sangue, idas ao pronto-socorro ou sepse, reforçando as preocupações sobre a segurança do medicamento.
