Cristão morre por gases tóxicos em trabalho forçado no Paquistão

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Trabalhador cristão morre em esgoto após ser forçado a realizar tarefa perigosa no Paquistão

Um trabalhador cristão de 33 anos, Shabbir Masih, faleceu na manhã de 7 de maio ao inalar gases tóxicos enquanto realizava uma tarefa perigosa em um esgoto profundo. A Autoridade de Água e Saneamento (WASA) é a responsável pela operação onde ocorreu o incidente. A viúva de Masih relatou que ele estava ciente dos riscos fatais da função e tentou recusar a descida no local por três dias consecutivos.

Na noite do ocorrido, autoridades da WASA teriam ido à residência de Masih por volta das 22h e o levado à força para o local de trabalho. “Ele sabia que era uma armadilha mortal”, declarou a viúva, mencionando que o marido estava apreensivo e que estavam o ameaçando para que descesse no esgoto.

Shabbir Masih foi enviado para dentro do esgoto junto com outro trabalhador cristão, Sanwal. Ambos adentraram a estrutura com cerca de 1,5 metro de água de esgoto. Devido à exposição a gases tóxicos, Masih não resistiu e faleceu dentro do esgoto, enquanto Sanwal passou mal e precisou ser hospitalizado. Sanwal teve uma recuperação rápida e recebeu alta no dia seguinte.

O corpo de Masih foi retirado e deixado na via pública, com a WASA instruindo a família a retirá-lo, indicando falta de responsabilidade pela morte. A viúva busca justiça, alegando que a WASA obrigou Masih a trabalhar no esgoto contra sua vontade. A autoridade, por sua vez, nega responsabilidade, alegando que Masih era um contratado, uma estratégia para se esquivar de obrigações legais.

A comunidade cristã no Paquistão, que representa menos de 2% da população, é majoritariamente empregada em serviços de saneamento, compondo 80% dessa força de trabalho. Esses trabalhadores, frequentemente em situação de vulnerabilidade financeira, não recebem treinamento adequado nem equipamentos de proteção. São enviados a esgotos profundos sem medidas de segurança e, caso se recusem, enfrentam ameaças de demissão. Casos como o de Masih não são isolados; entre 2011 e 2023, pelo menos 40 cristãos morreram em poços de visita devido à falta de treinamento e equipamentos de segurança, conforme dados do Center for Legal Justice (CLJ).

A precariedade no setor de saneamento paquistanês, que depende amplamente de mão de obra manual, é agravada pela prática de contratações temporárias ou por diária. Órgãos públicos têm evitado a contratação permanente, optando por modalidades que dispensam a oferta de seguro saúde e evitam a responsabilidade em casos de fatalidades como a de Shabbir Masih.

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