Republicanos dos EUA pedem à Coreia do Sul que suspenda proibição de saída para ex-embaixador Morse Tan
Vários membros republicanos do Congresso dos Estados Unidos fizeram um apelo à Coreia do Sul para que retire a proibição de saída que impede o ex-embaixador dos EUA Morse H. Tan de deixar o país. Tan enfrenta um processo criminal por difamação relacionado a declarações que ele teria feito nos Estados Unidos.
A deputada Young Kim, republicana da Califórnia e presidente do Subcomitê de Assuntos da Ásia Oriental e do Pacífico da Câmara, expressou profunda preocupação com a continuidade da proibição. “Não podemos permitir que esta questão ofusque nossa aliança duradoura”, afirmou Kim em uma publicação na rede social X.
Extensão da proibição levanta questionamentos
A declaração de Kim ocorreu após uma alegação do ex-primeiro-ministro sul-coreano Hwang Kyo-ahn de que a mais recente proibição de saída de Tan, que supostamente expiraria em 15 de agosto, teria sido estendida por mais três meses. A extensão ocorre às vésperas de sua primeira audiência de julgamento, marcada para 11 de setembro.
“Isso é absurdo. O que há para fazer que exija três meses? A administração Lee Jae-myung certamente pagará um preço alto por isso”, escreveu Hwang em coreano.
Morse Tan, que pode enfrentar pena de prisão, tem sido repetidamente impedido de sair da Coreia do Sul desde que chegou ao país em 28 de maio. Sua visita tinha como objetivo observar as eleições locais, em meio a alegações de irregularidades e interferência chinesa.
Carta de parlamentares americanos destaca preocupações com liberdade de expressão
Uma carta datada de 13 de agosto, enviada à embaixadora sul-coreana Kang Kyung-hwa, foi assinada pelos deputados Michael Cloud (Texas), Christopher H. Smith (Nova Jersey) e Brian Mast (Flórida), presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Os parlamentares descreveram Tan como “um cidadão americano incapaz de retornar para casa” e lembraram seu serviço como embaixador-geral para justiça criminal global de 2019 a 2021.
A carta detalha que Tan veio à Coreia do Sul (ROK) no final de maio como parte de um esforço privado para monitorar as eleições de junho. Após sua chegada, Tan enfrentou o que foi descrito como “tratamento notavelmente injusto” do governo sul-coreano pelas declarações feitas enquanto estava nos Estados Unidos.
“O Embaixador Tan foi proibido de deixar o país e, no mês passado, foi indiciado por suposta difamação ao Presidente da ROK, Lee Jae Myung. O Embaixador Tan agora aguarda julgamento”, diz trecho da carta.
Defesa dos direitos americanos e da aliança EUA-Coreia
Os legisladores enfatizaram que o tratamento de Tan levanta sérias preocupações sobre liberdade de expressão e devido processo legal. O caso envolve declarações feitas por Tan como um cidadão americano privado, enquanto estava nos Estados Unidos. “Os direitos de Primeira Emenda do Sr. Tan como cidadão americano devem ser respeitados”, afirmaram os membros.
Eles acrescentaram que a aliança EUA-Coreia do Sul é fundamentada em “um compromisso compartilhado com o governo representativo, a liberdade individual, a liberdade de expressão e o Estado de direito”. Uma delegação do Congresso se reuniu com Tan no mês passado e confirmou que ele “permanece em boa saúde e com espírito positivo”, pedindo à Coreia do Sul que “suspenda a proibição de saída do Embaixador Tan para permitir que ele retorne para casa”.
Contexto das alegações e declarações de Tan
As acusações contra Morse Tan surgem de supostas declarações difamatórias sobre o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, feitas durante um evento sobre integridade eleitoral no National Press Club em Washington, D.C., no ano passado. Tan, um crítico vocal do atual governo sul-coreano, chegou a descrevê-lo como “uma ditadura crescente” e alegou que o país enfrenta uma crescente infiltração comunista.
Tan falou anteriormente com The Christian Post e apareceu duas vezes no podcast “War Room” de Stephen K. Bannon.
