Mudança de paradigma na fé revela distanciamento entre gerações de protestantes nos Estados Unidos sobre a permanência dos textos sagrados
Uma pesquisa recente conduzida pela Lifeway Research aponta que os fiéis mais jovens nos Estados Unidos apresentam uma percepção significativamente diferente em relação à perenidade dos textos bíblicos quando comparados às gerações anteriores. Os dados mostram que a visão de que princípios religiosos podem se tornar obsoletos com o avanço cultural é mais prevalente entre o público jovem.
A investigação, detalhada pelo portal Christianity Daily, ouviu 1.200 protestantes norte-americanos entre os dias 2 e 7 de setembro de 2025. Os resultados indicam que 28% dos entrevistados acreditam que mudanças na sociedade tornam algumas verdades bíblicas ultrapassadas, um aumento em relação aos 24% registrados em um levantamento semelhante realizado em 2019.
Divergências geracionais sobre a interpretação das escrituras
O recorte por idade revela que o ceticismo em relação à imutabilidade da Bíblia é maior entre pessoas de 18 a 29 anos, grupo no qual 54% consideram alguns ensinamentos obsoletos. Esse índice cai para 40% entre os indivíduos de 30 a 49 anos, despenca para 19% na faixa de 50 a 64 anos e atinge apenas 13% entre os maiores de 65 anos.
Além da percepção de obsolescência, os jovens adultos destacaram-se em outros indicadores:
- 87% afirmam que a palavra de Deus pode ter significados distintos para diferentes pessoas.
- 56% admitem que alguns dogmas bíblicos não se alinham às suas crenças pessoais.
Apesar desses dados, a conexão prática com a leitura continua elevada. Cerca de 91% dos entrevistados relatam que conseguem ler passagens bíblicas e identificar relevância em seu cotidiano, mantendo estabilidade em relação aos índices de 2019. Contudo, 56% admitem dificuldades em compreender o texto de forma isolada, evidenciando um desafio contínuo na interpretação autônoma das escrituras.
