Quatro condenados à morte pelo massacre do Domingo de Pentecostes na Nigéria
Um tribunal federal na Nigéria proferiu sentenças de morte contra quatro homens considerados culpados por seu envolvimento no ataque devastador à Igreja Católica de São Francisco, em Owo, ocorrido no Domingo de Pentecostes de 2022. O ataque resultou na morte de 41 fiéis e deixou mais de 100 pessoas feridas.
A decisão foi anunciada pela Justiça Emeka Nwite, do Tribunal Federal de Abuja, que condenou os réus em nove acusações relacionadas a terrorismo. Entre elas, estão a participação em organização terrorista, conspiração, sequestro, tomada de reféns, financiamento ao terrorismo, assassinato e uso de explosivos que causaram mortes e ferimentos.
Detalhes do julgamento e condenações
De acordo com relatos da BBC, o tribunal concluiu que a promotoria conseguiu provar a culpa dos quatro réus além de qualquer dúvida razoável, e que as evidências apresentadas durante o julgamento permaneceram inquestionáveis. Além da pena capital, os homens receberam penas de 20 anos de prisão pela sua ligação a um grupo terrorista.
Um quinto suspeito, Momoh Otuho Abubakar, foi absolvido de todas as acusações. O tribunal determinou que havia evidências insuficientes para conectá-lo ao ataque, apesar de a promotoria alegar que Abubakar teria auxiliado no financiamento da operação ao receber e distribuir fundos de um suspeito foragido.
O ataque e seus impactos
O atentado ocorreu em 5 de junho de 2022, quando indivíduos armados invadiram a Igreja Católica de São Francisco, em Owo, Ondo State, durante a celebração do Domingo de Pentecostes. Os agressores abriram fogo e detonaram explosivos, ceifando a vida de dezenas de fiéis, incluindo crianças.
Testemunhos apresentados durante o julgamento revelaram o impacto brutal do ataque. Uma sobrevivente relatou ter perdido ambas as pernas abaixo do joelho e o olho esquerdo após a detonação de um explosivo dentro da igreja. A promotoria contou com o depoimento de 11 testemunhas oculares, sendo que uma delas identificou dois dos homens condenados como participantes diretos no atentado. O padre que seria o alvo aparente do ataque sobreviveu.
Conexões com grupos terroristas e motivações
As autoridades indicaram que os quatro homens condenados eram membros do al-Shabaab e que se juntaram à organização terrorista em 2021. Os procedimentos judiciais também revelaram que os réus confessaram voluntariamente ter realizado o ataque sob ordens de um líder foragido.
Segundo a Christian Solidarity Worldwide, os condenados afirmaram que foram instruídos a alvejar a igreja porque suas atividades eram supostamente consideradas ofensivas ao profeta Maomé.
O futuro da sentença e o contexto de segurança
Advogados de defesa indicaram que os homens condenados planejam recorrer da decisão. Embora as sentenças de morte ainda sejam legais na Nigéria, execuções exigem aprovação presidencial e são raramente realizadas. A última execução registrada no país foi em 2016, e o número de detentos aguardando execução ultrapassava 3.000 em 2023.
A Christian Solidarity Worldwide observou que o massacre de Owo marcou o primeiro ataque terrorista a uma igreja no sul da Nigéria. Desde então, ataques contra igrejas e comunidades cristãs continuam em meio a um agravamento das condições de segurança em todo o país. A violência também tem atraído atenção internacional.
O massacre de Owo foi um marco trágico, representando o primeiro ataque terrorista contra uma igreja no sul da Nigéria, um evento que ressalta a crescente insegurança e a escalada da violência contra comunidades religiosas.
O incidente de Owo destaca a complexa situação de segurança na Nigéria e os desafios enfrentados por grupos religiosos. A comunidade internacional tem observado de perto os desdobramentos e a resposta das autoridades nigerianas à violência sectária.
