Campanha internacional exige soltura de pastor evangélico preso há quatro anos na Nicarágua sob acusações controversas
A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) intensificou os esforços pela libertação do pastor evangélico Efrén Antonio Vílchez López, detido na Nicarágua desde maio de 2022. Nesta semana, a entidade apresentou petições com mais de mil assinaturas a missões diplomáticas nicaraguenses em oito países, solicitando a soltura imediata e incondicional do religioso.
O pastor foi detido em 15 de maio de 2022, alegadamente após uma agressão policial. Três dias depois, as autoridades o acusaram formalmente de estupro qualificado e danos psicológicos contra um menor de idade. A CSW, contudo, sustenta que as acusações são fabricadas e representam uma retaliação a críticas dirigidas ao governo do presidente Daniel Ortega e da copresidente Rosario Murillo.
Em setembro de 2022, o pastor foi condenado a 23 anos de prisão. Segundo a CSW, o tribunal alterou a classificação das acusações durante o processo e teria se recusado a analisar provas que apontariam para sua inocência, como imagens de câmeras de segurança.
Condições de saúde e tratamento no presídio
Atualmente, o pastor Vílchez López cumpre pena no Sistema Penitenciário Nacional Jorge Navarro, conhecido como “La Modelo”. A CSW relata que ele enfrenta condições de detenção cada vez mais severas. Apesar de ser diabético e hipertenso, sua Bíblia e óculos foram confiscados, e o acesso a livros e cuidados médicos adequados foi negado.
Desde agosto de 2024, sua porção diária de água foi drasticamente reduzida, e o acesso a atividades ao ar livre está limitado. Familiares também teriam sido impedidos de entregar alimentos, remédios e outros itens essenciais.
Anna Lee Stangl, diretora de Advocacia da CSW, classificou as acusações como “completamente infundadas” e expressou preocupação com a deterioração da saúde do pastor. “Apelamos ao governo da Nicarágua para que o liberte imediatamente e sem condições e para que ponha fim ao assédio, à prisão e ao exílio forçado de líderes religiosos e de todos aqueles considerados críticos do governo”, declarou Stangl.
Escalada da repressão religiosa na Nicarágua
O caso de Vílchez López ocorre em um contexto de intensificação da repressão a líderes religiosos na Nicarágua. No início de 2024, a CSW documentou um aumento expressivo nas violações da liberdade religiosa, com 222 casos em 2024 e 309 em 2025. Relatos indicam vigilância policial sobre pastores e padres, com exigência de relatórios periódicos e autorização prévia para atividades religiosas, além de restrições à importação de Bíblias.
A Portas Abertas classifica a Nicarágua na 32ª posição entre os países mais hostis ao cristianismo. A CSW cita casos similares, como o do bispo José Leonardo Urbina Rodríguez, sentenciado a 30 anos de prisão em 2022 e posteriormente forçado ao exílio.
Stangl enfatiza a necessidade de a comunidade internacional apoiar “vozes independentes” no país. A repressão religiosa na Nicarágua, segundo a CSW, tem se intensificado desde os protestos antigovernamentais de 2018.
