Autoridades de Israel e Líbano se reúnem em Washington para negociações de cessar-fogo, com crescentes preocupações sobre o Hamas em Gaza e incursões do Hezbollah
Israel e Líbano iniciam nesta quinta-feira (data não especificada na fonte) em Washington um novo ciclo de negociações para a renovação de um acordo de cessar-fogo, em um cenário de tensão crescente devido à atuação do Hamas na Faixa de Gaza e a frequentes ações do Hezbollah contra tropas israelenses. A informação foi divulgada pela CBN News.
As delegações, chefiadas pelos principais diplomatas de cada país nos Estados Unidos, contarão pela primeira vez com a participação de representantes militares. Os Estados Unidos serão representados pelo Embaixador em Israel, Mike Huckabee, pelo Embaixador no Líbano, Michael Issa, e por Michael Needham, assessor do Secretário de Estado Marco Rubio.
A reunião ocorre em meio a contínuos ataques com drones do Hezbollah contra o exército israelense e contra-ataques de Israel a infraestruturas e armamentos do grupo, principalmente no sul do Líbano. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, mais de 400 terroristas e mil armamentos do Hezbollah foram neutralizados desde o início das operações.
Em Gaza, o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos não tem apresentado os resultados esperados. O Hamas, segundo relatos, teria retomado o controle em algumas áreas da Faixa. Nikolai Mladenov, Diretor-Geral do Conselho de Paz de Gaza, expressou preocupação durante uma visita a Jerusalém.
“Nas áreas que ainda controla, o Hamas está consolidando seu domínio sobre a população. Eles cobram impostos de pessoas na rua que já não têm nada para dar.”
Mladenov alertou que, sem uma mudança na situação, não há perspectivas de um futuro diferente para os habitantes de Gaza. Ele ressaltou que, embora seja possível prover alimentação e moradia, a ausência de um futuro promissor apenas melhora um dia, sem alterar fundamentalmente a vida das pessoas.
O diplomata, que supervisiona o acordo de cessar-fogo em Gaza desde o ano passado, destacou que, sete meses após o acordo, a “porta para o futuro de Gaza está fechada”. Ele afirmou que isso não corresponde ao prometido aos palestinos nem ao que merecem, e tampouco oferece a Israel a segurança necessária para avançar.
Mladenov deixou claro que a existência do Hamas como partido político não é o ponto central da negociação, mas sim a não permissão de que facções armadas ou milícias com sistemas próprios de comando e controle, arsenais e redes de túneis coexistam com a Autoridade Palestina de transição. “Isso não é uma demanda política. É um requisito do processo”, enfatizou.
Em declarações anteriores, o Embaixador Huckabee sugeriu que Israel poderia precisar desarmar o Hamas por conta própria, indicando uma possível frustração com a ameaça iraniana não resolvida, mesmo com o foco dos EUA e Israel na guerra contra o Irã.
Em um gesto de cooperação, moedas antigas retratando a Menorá do Templo foram devolvidas a Israel pelos Estados Unidos, após uma investigação conjunta sobre roubo de antiguidades. Paralelamente, parlamentares globais reunidos em Jerusalém prometeram o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, em antecipação às celebrações do Dia de Jerusalém.
O Dia de Jerusalém, que marca o 59º aniversário da reunificação da cidade sob controle israelense em 1967, inicia ao pôr do sol desta quinta-feira. A tradicional marcha de bandeiras pela cidade seguirá o caminho dos soldados israelenses de 1967, atravessando a Cidade Velha até o Muro das Lamentações.










