No Paquistão, cerca de mil meninas cristãs são vítimas anuais de sequestro conversão forçada e casamento arranjado com homens muçulmanos
Anualmente, aproximadamente mil meninas no Paquistão, muitas delas cristãs, são sequestradas de seus lares. Frequentemente, essas jovens são encontradas meses depois, após terem sido obrigadas a se converter ao Islã e casar com homens muçulmanos mais velhos. A organização International Christian Concern (ICC) atua no auxílio a essas meninas e suas famílias, oferecendo abrigo seguro e suporte legal para quebrar esse ciclo de violência.
A dificuldade em provar a idade das vítimas em tribunal, devido à falta de certidões de nascimento, muitas vezes resulta na custódia das meninas sendo concedida aos homens acusados, negando aos pais a chance de reencontrá-las. Embora essa realidade não seja nova no país, histórias de meninas nessa situação têm ganhado mais visibilidade.
Casos emblemáticos revelam a gravidade do problema
O caso de Adan Sabir ilustra a complexidade da situação. Após rejeitar uma proposta de casamento, ela foi sequestrada à força em julho de 2025. Seu agressor apresentou um certificado de casamento forjado, alegando conversão e casamento voluntário. Apesar de uma decisão judicial inicial desfavorável, a família de Sabir apelou e, em setembro de 2025, o Tribunal Superior de Lahore ordenou seu retorno. No entanto, o agressor continuou a ameaçar a família, que vive em constante temor e deslocamento.
Maria Shahbaz, sequestrada em julho de 2025 e forçada à conversão e casamento, teve seu caso negado em primeira instância. Em março, o Tribunal Constitucional Federal do Paquistão considerou Shahbaz de idade madura, validando seu casamento sob a lei islâmica. Os pais alegaram que ela tinha cerca de 13 anos, mas documentos foram considerados não confiáveis pelos juízes.
Farah Shaheen, de 12 anos, foi encontrada acorrentada e confinada em um curral em dezembro de 2020, após ser levada de sua família cristã. O homem que a mantinha forçou sua conversão e casamento. Após uma batalha legal de oito meses, Shaheen foi devolvida à família em fevereiro de 2021.
Huma Younus, então com 14 anos, foi sequestrada em outubro de 2019 e forçada a se converter e casar. Seus pais apresentaram registros escolares e de batismo para provar sua idade, mas o Tribunal Superior de Sindh decidiu que o casamento era válido sob a Sharia, pois Younus já havia tido seu primeiro ciclo menstrual.
Laiba Masih, uma menina de 10 anos, foi entregue a um homem após ser sequestrada. Apesar de sua família ter comprovado sua menoridade, Masih declarou em 2024 que permaneceria com o marido muçulmano. A mãe de Laiba descreveu a angústia da família como indescritível.








