EUA pressionam China sobre direitos humanos em visita de Trump a Pequim

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Visita presidencial dos EUA à China é marcada por denúncias de perseguição religiosa e detenção de dissidentes

A chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, acompanhado por líderes empresariais e conselheiros econômicos, colocou em evidência não apenas as negociações comerciais e tecnológicas, mas também a tensa situação dos direitos humanos na China. Especialistas apontam que o confronto entre os sistemas de valores ocidentais e a visão autoritária chinesa, que vê a religião como um obstáculo à lealdade absoluta ao Estado, dominará parte da agenda.

O embaixador Sam Brownback descreveu a situação como um “choque de civilizações”, enfatizando a oposição do Partido Comunista Chinês (PCC) a qualquer forma de crença que não se submeta à sua ideologia. “Estamos em uma batalha hoje com o Partido Comunista Chinês e sua visão autoritária de que a religião é o ópio do povo – algo que deve ser jogado fora, descartado, perseguido, pisoteado e morto”, declarou Brownback.

Pastor Jin e Jimmy Lai são símbolos da repressão

O caso do Pastor Ezra Jin, líder da maior rede de igrejas domésticas da China, Zion, preso em outubro de 2025, é um dos focos de preocupação. Sua filha, Grace Jin Drexel, tem sido uma voz ativa na defesa de seu pai, que enfrenta dificuldades de saúde devido à negligência em sua detenção. As acusações criminais confirmadas em novembro garantem que ele permaneça preso por um longo período, mesmo que posteriormente inocentado.

“Eu tirei muitas pessoas de diferentes países, incluindo a China.”

Trump prometeu abordar a situação do Pastor Jin durante o encontro com o líder chinês Xi Jinping. Da mesma forma, a situação do magnata católico de Hong Kong, Jimmy Lai, é esperada na pauta. Lai, preso sob a lei de segurança nacional por operar um jornal pró-democracia, foi sentenciado a 20 anos de prisão. Relatos indicam que ele está sofrendo com cuidados médicos inadequados e impedido de praticar sua fé.

Cultura de perseguição e controle estatal

A perseguição religiosa na China em 2025 reflete o aprofundamento do controle autoritário e da “sinicização“, onde a religião é tratada como um medidor de lealdade política. Iniciativas como a vigilância tecnológica e a regulamentação rigorosa de práticas de culto visam sufocar qualquer expressão religiosa autêntica, enquadrando-as como extremismo sob o pretexto de contraterrorismo.

Grupos minoritários, mulheres e crianças são desproporcionalmente afetados. O governo chinês justifica essas medidas como necessárias para a segurança nacional, argumentando que figuras como Jimmy Lai representam ameaças à estabilidade. A falta de responsabilização internacional agrava o quadro, enquanto a resiliência dos fiéis contrasta com a intensificação da repressão, motivada por ansiedades demográficas e insegurança política.

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