Acordo de cessar-fogo com o Irã em estado crítico com poucas chances de sucesso enquanto ministros da defesa se reúnem e EUA avaliam suspensão do imposto sobre gasolina
O acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã encontra-se novamente em uma situação delicada, com chances mínimas de sucesso, segundo declarações do presidente Donald Trump. A tensão ocorre em paralelo à reunião de cerca de 40 ministros da defesa, organizada por França e Reino Unido, para debater estratégias de reabertura do Estreito de Ormuz. Simultaneamente, nos Estados Unidos, o governo avalia a possibilidade de suspender temporariamente o imposto federal sobre a gasolina, em uma tentativa de mitigar a alta nos preços.
Trump expressou pessimismo em relação a um possível acordo após o recebimento da mais recente proposta iraniana, que, segundo ele, não contemplava a retirada do urânio enriquecido. O presidente americano classificou o documento como “lixo” e afirmou não ter completado sua leitura. A declaração do cessar-fogo, segundo Trump, está “em suporte de vida maciço”, comparando a situação a um cenário onde um médico anuncia que o paciente tem apenas 1% de chance de sobreviver.
“Estou dizendo que o cessar-fogo está em suporte de vida maciço, onde o médico entra e diz ‘Senhor, seu ente querido tem aproximadamente 1% de chance de viver.'”
O presidente revelou que o Irã havia concordado em desistir do urânio enriquecido e garantir a ausência de armas nucleares por um longo período, além de outras condições menores, mas mudou de ideia posteriormente. O regime iraniano, por sua vez, exigiu o fim da guerra, o levantamento do bloqueio naval e a liberação de seus ativos econômicos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que as demandas se restringiam aos “direitos legítimos” do país, sem a solicitação de concessões.
Trump descreveu o plano americano como “simples” e criticou a conduta iraniana, considerando-a estúpida. Ele acredita que o Irã age sob a suposição de que os EUA eventualmente cederiam à pressão, algo que, segundo ele, não existe. A Guarda Revolucionária do Irã tem emitido avisos contra o envio de navios de guerra para a região por parte de Londres e Paris.
Os Emirados Árabes Unidos têm conduzido ataques militares contra o Irã, tornando-se um “combatente ativo” na guerra, conforme reportado pelo The Wall Street Journal, citando fontes anônimas. Essa participação intensificada sugere uma disposição maior dos EAU em combater para proteger seu poder econômico e influência crescente no Oriente Médio, especialmente após um ataque em abril que atingiu uma refinaria de petróleo na Ilha de Lavan.
No cenário doméstico americano, a proposta de suspensão do imposto federal sobre a gasolina, que representa cerca de 18 centavos por galão, surge como medida para combater a escalada dos preços. Os valores dispararam após o início da guerra EUA-Irã, impulsionados pelo bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, rota por onde transitava um quinto do petróleo mundial.
Enquanto isso, a reunião de ministros da defesa de mais de 40 nações, sediada em Paris e Londres, visa discutir planos militares para garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz.
