Extorsão de grupo extremista coloca em risco a vida de familiares de um religioso deslocado pelo conflito no nordeste nigeriano
Suspeitos de integrar o grupo Boko Haram exigem um resgate milionário para libertar a esposa e a filha de um pastor nigeriano, sequestradas há quase um ano no estado de Borno. A denúncia foi publicada pela International Christian Concern (ICC).
O pastor Simon Yohanna informou que Mercy, sua esposa, e Talita, sua filha, foram capturadas em 9 de novembro de 2025, enquanto viajavam pela estrada Buratai-Biu-Bunu Yadi. Os criminosos estariam solicitando o pagamento de 50 milhões de nairas, valor que o religioso afirma não possuir.
Deslocado para Mubi, no estado de Adamawa, Yohanna cuida de outros três filhos e relata dificuldades para obter respostas das autoridades locais. Embora tenha mantido um breve contato telefônico recente, o destino da família permanece incerto.
Desafios na segurança e o padrão de abduções
Relatos de fontes locais indicam variações sobre o valor do resgate, que teria sido reduzido para 12 milhões de nairas, quantia que a família também não consegue arcar. O caso reflete uma dinâmica recorrente no norte da Nigéria, onde grupos extremistas utilizam sequestros como ferramenta de terror e financiamento.
Segundo o pastor, os mesmos militantes que detêm sua família estariam mantendo outros 70 cristãos em cativeiro.
A insegurança na região, agravada por grupos como Boko Haram e o ISWAP, tem forçado o deslocamento de comunidades inteiras. Estudos do Observatory for Religious Freedom in Africa (ORFA) apontam que, além de grupos jihadistas, milícias armadas também desempenham um papel crítico na violência contra civis na Nigéria.
Yohanna busca apoio governamental para a liberação de seus parentes, reforçando o apelo por medidas eficazes de segurança e pela proteção de cidadãos visados especificamente por sua fé.
