Igreja financia operação humanitária para transportar cidadãos nigerianos retidos em solo sul-africano após pedidos de auxílio diplomático
A Redeemed Christian Church of God (RCCG), considerada a maior denominação pentecostal da África, iniciou uma operação humanitária para repatriar pelo menos 500 cidadãos nigerianos que residiam na África do Sul. O primeiro grupo, composto por 100 pessoas, desembarcou no Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, no dia 24 de setembro, conforme informações do Christianity Daily.
A iniciativa foi aprovada pelo supervisor geral da RCCG, Pastor Enoch Adeboye, após um apelo formal da missão diplomática da Nigéria. A instituição religiosa assumiu os custos integralmente, destinando mais de 260 mil dólares para o pagamento de passagens aéreas de ida para os repatriados.
O Pastor Belemina Obunge, que lidera a força-tarefa da igreja para o acolhimento desses cidadãos, ressaltou o caráter inclusivo da missão. “Nigerianos de diferentes fés estão incluídos”, afirmou ao tratar sobre a diversidade dos beneficiários.
Logística e contexto da operação
Os retornos estão ocorrendo em etapas, respeitando os procedimentos de documentação exigidos pelas autoridades de imigração da África do Sul e pela Alta Comissão da Nigéria em Pretória. Enquanto a igreja custeia as passagens aéreas, órgãos do governo nigeriano são responsáveis pelo processamento e transporte dos cidadãos até seus respectivos estados de origem.
O esforço ocorre em um cenário de intensificação das repatriações motivadas pelo aumento de ataques xenofóbicos e afro-fóbicos na África do Sul. Desde junho, quando as tensões envolvendo estrangeiros se agravaram, o governo nigeriano tem articulado evacuações sistemáticas. Até o início de setembro, registros oficiais indicavam o retorno de 1.640 cidadãos, com o apoio de fundos estatais e doadores privados.
O Ministério das Relações Exteriores da Nigéria reconheceu a contribuição da RCCG, destacando a importância da cooperação entre organizações religiosas e instâncias governamentais em respostas a crises humanitárias.
