Evangelista etíope relata ameaças e fuga após conversão, levando a família para longe de casa para seguir Jesus
Seguir Jesus perto da fronteira etíope com a Somália impôs a Teshome Getachew um caminho de ameaças, medo e incertezas. Mesmo diante dos perigos de ser cristão em uma comunidade muçulmana somali, Getachew afirma que a jornada vale a pena, segundo informações da Persecution.org.
Após sua conversão ao cristianismo, Getachew iniciou o compartilhamento do evangelho na região de Gode e posteriormente em Jigjiga. Sua fluência no idioma somali permitiu que muitas pessoas ouvissem suas canções e testemunhos. Ele desejava que seu próprio povo pudesse ouvir sobre Jesus em sua língua, mesmo ciente da oposição que enfrentaria.
À medida que o ministério de Getachew se tornava mais visível em 2025, a hostilidade contra ele se intensificou. Em culturas somalis, a fé e a identidade nacional estão intrinsecamente ligadas. Aqueles que abandonam o islamismo são frequentemente vistos como desertores de sua religião e nacionalidade, e quem prega o evangelho a muçulmanos somalis é considerado um inimigo.
“Extremistas islâmicos começaram a me ameaçar abertamente por causa da minha fé cristã e testemunho”, declarou Getachew. “As pessoas começaram a me avisar que minha vida estava em perigo. Alguns disseram que eu havia traído minha comunidade. Outros que eu merecia morrer porque me recusava a parar de pregar o evangelho.”
As ameaças tornaram-se tão graves que Getachew não pôde mais permanecer em sua cidade natal. Em julho de 2025, ele fugiu com sua família para Dire Dawa, deixando tudo para trás. A fuga ocorreu em meio ao medo e à incerteza sobre o futuro, com o único objetivo de escapar antes que algo pior acontecesse.
Mesmo após a mudança, o temor persistiu. “A pressão continuou, e minha família vive com cautela todos os dias”, relatou Getachew. “Não estamos livres do perigo e, toda vez que ouço uma notícia inesperada ou vejo pessoas desconhecidas ao nosso redor, fico preocupado. Minha família vive com medo o tempo todo.”
A perseguição afetou profundamente sua esposa e filhos. Seu filho de 7 anos e sua filha de 3 anos tiveram dificuldades para se adaptar à vida após o deslocamento. “Como pai, isso parte meu coração”, confessou Getachew. “Meus filhos perderam a estabilidade e a paz por causa da minha fé. Às vezes, pergunto-me quanto tempo eles viverão assim.”
Apesar do sofrimento, Getachew reafirma seu compromisso com Cristo. “Continuo adorando silenciosamente e encorajando outros crentes sempre que possível”, disse. “Jesus nunca me abandonou, mesmo no medo. Há momentos em que me sinto fraco, mas minha fé me dá força para continuar. Acredito que o evangelho vale o sofrimento.”
