Espião desertor expõe a caça implacável da China a dissidentes nos EUA

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Ex-agente secreto chinês revela táticas de perseguição e sequestro contra dissidentes nos Estados Unidos

Um ex-membro das forças de segurança da China que desertou para a Austrália detalhou recentemente como Pequim conduz uma campanha ativa para silenciar vozes pró-democracia no exterior, com foco nas operações realizadas nos Estados Unidos. Identificado como ‘Eric’, o ex-agente atuou para o Ministério da Segurança Pública da China, conhecido como ‘Primeiro Bureau’, entre 2008 e 2023.

Segundo Eric, sua função era coletar informações sobre o país onde estava e grupos anticomunistas, infiltrando-se em organizações e buscando armar alvos para extradição para a China. Sua cooptação ocorreu em 2008, após ser preso por apoiar um partido pró-democracia, sendo-lhe dada a escolha entre colaborar com o Partido Comunista Chinês (PCC) para capturar dissidentes ou ir para a prisão.

O ex-agente utilizava identidades falsas, como executivo de imóveis e combatente pela liberdade anticomunista, para atrair dissidentes a países onde poderiam ser sequestrados e levados de volta à China. No entanto, Eric alega ter secretamente protegido alvos, garantindo que ninguém fosse preso como resultado de seu trabalho, o que gerou suspeitas por parte de seus superiores e o levou à decisão de desertar.

“Eu não queria ser responsável por nenhum alvo ser devolvido à China e tentei garantir que isso não acontecesse, e isso deixou meus chefes desconfiados de mim.”

O testemunho de Eric corrobora reportagens que indicam a existência de uma rede de espiões do governo chinês ameaçando, armando e até sequestrando críticos do regime. Laura Harth, que monitora a repressão transnacional chinesa pelo grupo de direitos humanos Safeguard Defenders, explicou que essas táticas fazem parte de uma campanha maior denominada ‘A Frente Unida’.

Harth descreveu a Frente Unida como uma das ‘armas secretas’ ou ‘mágicas’ do PCC, com o objetivo duplo de expandir a influência do partido, cooptando políticos, mídia, academia e empresários, e, simultaneamente, reprimir e silenciar críticos.

Relatos de dissidentes incluem visitas de policiais chineses a parentes, com avisos de problemas e até prisão caso a crítica ao governo chinês não cessasse. Embora o número exato de ‘estações de polícia’ chinesas operando nos EUA seja incerto, algumas foram fechadas pelas autoridades, como uma operação em Nova York que funcionava acima de uma loja de macarrão.

Bob Fu, fundador da organização China Aid e participante dos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, relatou ter sofrido assédio e recebido ameaças, incluindo mensagens de texto e reservas de hotéis em seu nome, seguidas de chamadas à polícia com falsas ameaças de bomba em várias cidades americanas.

O ativista pró-democracia Lijian Jie, que já sofreu três tentativas de assassinato por agentes chineses em Los Angeles, afirmou que os chineses-americanos ‘ainda estão cercados por ameaças constantes de perigo’. Em mensagem aos seus ex-colegas, Eric os encorajou a ‘reconhecer a natureza do partido comunista’, classificando-o como ‘fascista e totalitário’, e a não se envolverem em atividades ilegais no exterior.

A contínua repressão de Pequim a chineses no exterior levanta a questão sobre a verdadeira liberdade daqueles que fugiram do comunismo em busca de um novo lar.

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