Audiência no Congresso dos EUA expõe crise no movimento de direitos humanos norte-coreano
Uma audiência realizada pela Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos, um órgão bipartidário do Congresso dos EUA, lançou luz sobre a gravidade da crise dos direitos humanos na Coreia do Norte e os desafios enfrentados pelo movimento que busca informações e liberdade para o povo norte-coreano. O evento, co-presidido pelos deputados Christopher H. Smith (R-NJ) e James P. McGovern (D-MA), destacou a importância vital do fluxo de informações externas para os cidadãos norte-coreanos e as dificuldades impostas às atividades lideradas por desertores.
O tema central da audiência, “Movimento de Direitos Humanos da Coreia do Norte: Perspectivas e Obstáculos Atuais”, ressaltou como o regime norte-coreano intensificou seus esforços para bloquear o acesso à informação e controlar a ideologia, especialmente desde a pandemia de COVID-19. As restrições severas à liberdade de expressão, religião e movimento, aliadas à crescente dificuldade para os desertores continuarem seu trabalho, configuram um cenário preocupante.
Restrições de informação e o poder da verdade
Durante a audiência, a Dra. Tara O e a Sra. Suzanne Scholte, presidente da Coalizão pela Liberdade da Coreia do Norte, apresentaram testemunhos cruciais. A Dra. O, autora de “The Collapse of North Korea”, e a Sra. Scholte, que também preside a Free North Korea Radio, enfatizaram que, mesmo em um sistema tão fechado quanto o da Coreia do Norte, a informação externa continua a penetrar, tornando-se cada vez mais valiosa e poderosa.
O Deputado Chris Smith destacou que a informação é a força mais capaz de mudar a Coreia do Norte, mais do que o poder militar. Ele citou depoimentos de desertores, onde a compreensão dos direitos divinamente concedidos transforma a perspectiva dos cidadãos. Ouvir rádio, por exemplo, foi a primeira janela para a liberdade e a esperança para muitos.
Desafios crescentes para o movimento de direitos humanos
A audiência também abordou um desenvolvimento preocupante na Coreia do Sul. O Deputado Smith observou que, embora a Coreia do Sul seja vista como aliada na promoção dos direitos humanos, surgiram recentemente preocupações sobre restrições a atividades que visam introduzir informações na Coreia do Norte. Ele classificou essas políticas como atos não neutros que afetam a capacidade dos cidadãos norte-coreanos de ouvir vozes alternativas e o avanço da causa dos direitos humanos.
A Dra. Tara O alertou que o espaço de liberdade na Coreia do Sul está encolhendo, com um aumento nas restrições à liberdade de expressão e religião, que estão sendo codificadas em lei. Ela citou debates sobre emendas constitucionais, controvérsias sobre liberdade de expressão e a influência do Partido Comunista Chinês como sinais de uma mudança preocupante de uma ordem democrática liberal para uma ordem socialista.
A Sra. Suzanne Scholte avaliou que o movimento de direitos humanos norte-coreano está vivenciando o período mais difícil de sua história. Ela apontou duas razões principais: a comunidade internacional que não tem ouvido suficientemente os desertores, aqueles que melhor conhecem a Coreia do Norte, e o governo sul-coreano que tem negligenciado seu dever constitucional em relação aos direitos humanos norte-coreanos e à disseminação de informações.
“A ditadura [norte-coreana] preocupa-se apenas com a sua própria sobrevivência, não com o seu povo.”
Scholte reiterou que os direitos humanos são o calcanhar de Aquiles do regime norte-coreano e que tudo mudará quando os norte-coreanos perceberem que não nasceram como escravos da família Kim, mas como seres dotados por Deus com o direito à liberdade.
Operação Verdade e a importância dos desertores
A Sra. Scholte descreveu o esforço para enviar informações aos cidadãos norte-coreanos como a “Operação Verdade”, com o objetivo de alcançar o povo por terra, mar e ar, entregando verdade, esperança, alimentos e o Evangelho. Essa operação envolve a entrega de USBs, rádios, panfletos e outros itens que servem como canal para romper o bloqueio de informações do regime.
Ela destacou o papel fundamental dos desertores norte-coreanos, chamando-os de as testemunhas que melhor conhecem a realidade da Coreia do Norte. Scholte instou o Congresso dos EUA, a Coreia do Sul e a Casa Branca a ouvirem suas vozes, pois o regime norte-coreano teme a informação externa mais do que qualquer outra coisa.
Questões de repatriação forçada e prisioneiros de guerra
A audiência também abordou a questão da repatriação forçada de desertores norte-coreanos na China, que enfrentam risco de tortura e punição ao retornarem. Solti implorou por ações mais fortes da comunidade internacional para deter essas repatriações. A questão dos soldados norte-coreanos enviados para a guerra na Ucrânia também foi levantada, com o apelo para que prisioneiros não sejam enviados de volta à Coreia do Norte, onde enfrentarão tortura e retaliação.
A influência do Partido Comunista Chinês na Coreia do Sul e as controvérsias sobre a justiça eleitoral também foram discutidas. A Dra. Oh expressou preocupação com o tamanho da população residente chinesa na Coreia do Sul e instâncias de campanhas eleitorais em chinês.
Juche e a perseguição religiosa
A discussão sobre a ideologia Juche revelou que ela deve ser vista não apenas como política, mas como um sistema de adoração religiosa. O culto à personalidade da família Kim distorceu e apropriou-se de linguagem e símbolos cristãos, explicando o intenso temor do regime pela cristandade e sua perseguição aos cristãos, vista como uma opressão sistêmica para controlar mentes e almas.
A audiência concluiu com um apelo para que os Estados Unidos reafirmem sua posição como fortes defensores dos direitos humanos, garantindo que as questões norte-coreanas permaneçam na vanguarda da agenda internacional, mesmo ao discutir ameaças nucleares.
