Deputada Young Kim busca ser a ‘voz’ para desertores norte-coreanos e impulsiona reautorização de lei de direitos humanos
A deputada Young Kim (R-CA) reafirmou seu compromisso em ser uma defensora vocal dos desertores norte-coreanos e em garantir a continuidade do apoio a eles através da reautorização da Lei de Direitos Humanos da Coreia do Norte. Durante a 23ª Semana da Liberdade da Coreia do Norte, realizada em Washington, D.C., a parlamentar participou de uma mesa-redonda que focou em questões cruciais como a repatriação forçada e o fluxo de informações para dentro do país.
O evento, co-organizado por Kim e pela deputada Ami Bera (D-CA), reuniu desertores norte-coreanos, ativistas e legisladores dos EUA para compartilhar testemunhos e debater a grave situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. A reautorização da Lei de Direitos Humanos da Coreia do Norte, promulgada em 2004, foi o ponto central das discussões, visando assegurar que a promoção dos direitos, o acesso à informação e a proteção dos desertores continuem sendo prioridades no Congresso dos EUA.
Fluxo de informação externa e percepções em mutação
Kim Ji-young, CEO da Radio Free North Korea, apresentou dados de uma pesquisa recente com 75 desertores norte-coreanos. 66% dos entrevistados relataram acessar informações externas semanalmente, declarando que esse conteúdo lhes proporcionou sonhos de liberdade e coragem para desertar. Todos os participantes acreditam que o regime de Kim Jong-un teme o colapso, evidenciado por leis que restringem ideologias e culturas externas.
“Os residentes norte-coreanos anseiam por informações externas”, destacou Kim, enfatizando que desafiar o regime através do consumo dessas informações pode abalar a ditadura. A deputada Young Kim complementou, explicando que informações chegam ao país através da fronteira do Rio Yalu, trabalhadores no exterior, soldados na Rússia e transmissões de rádio na Zona Desmilitarizada (DMZ).
“Em matéria de direitos humanos, a reautorização da Lei de Direitos Humanos da Coreia do Norte é fundamental para garantir que a situação do país continue a ser abordada no nível do Congresso dos EUA.”
Testemunhos de superação e desafios
Durante a mesa-redonda, desertores compartilharam suas experiências. Choi Chun-hyuk relatou a dura realidade dos pescadores norte-coreanos que se aventuram em águas russas e são detidos. Ele passou mais de dois anos detido na Rússia e, após ser exposto à cultura coreana e a informações externas, percebeu que retornar à Coreia do Norte significaria tortura e prisão. Ele conseguiu refúgio na Coreia do Sul com a ajuda de organizações de direitos humanos.
Lee Jae-hee descreveu uma infância marcada pela perda dos pais, trabalhos forçados e a privação básica de alimentos. Seu maior desejo era comer uma tigela de arroz quente. Ms. Lee Soon-sil compartilhou sua dolorosa experiência com tráfico humano e repatriação forçada na China, onde foi tratada como mercadoria. Ela enfatizou que mulheres e crianças norte-coreanas sofrem as piores consequências e apelou por união global para reconstruir os direitos humanos na Coreia do Norte.
Cooperação militar Coreia do Norte-Rússia e o drama dos soldados
A participação de tropas norte-coreanas em conflitos na Rússia também foi abordada. Choi Jeong-hoon alertou que jovens norte-coreanos são enviados para o campo de batalha russo, e o medo de que suas famílias sejam executadas caso sejam capturados leva alguns ao suicídio. Ele classificou a situação como uma violação de direitos humanos rara em outros lugares do mundo.
A deputada Young Kim demonstrou preocupação e indicou que abordaria o tema com o Embaixador dos EUA na Coreia do Sul. A situação de prisioneiros de guerra norte-coreanos na Ucrânia também foi levantada, com o pedido para que o governo sul-coreano e o Congresso dos EUA pressionem o governo ucraniano a garantir a liberdade deles, caso retornem à Coreia do Norte.
Apelo por união e ação legislativa
Representantes dos EUA, como James Moylan (R-Guam) e Derek Tran (D-CA), expressaram preocupação com a falta de progresso e a necessidade de uma ação conjunta renovada entre Coreia do Sul e Estados Unidos. Moylan ressaltou que pouca coisa mudou desde eventos anteriores e que a mudança significativa não pode levar mais 30 anos.
Ao final do evento, a deputada Young Kim reiterou seu compromisso em transformar os testemunhos em ação legislativa. Ela destacou que, com o aumento do acesso à informação externa, a sua importância para encorajar e dar esperança aos norte-coreanos é ainda maior. Kim enfatizou que a reautorização da Lei de Direitos Humanos da Coreia do Norte, que inclui alocação de recursos para transmissões para o país, é crucial. Ela agradeceu o trabalho de organizações como a Free North Korea Radio e prometeu servir como uma voz para os desertores e trabalhar diligentemente para a aprovação da lei.
