Cristãos na Nigéria e Síria enfrentam massacres e ameaças à extinção

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Comunidades cristãs na Nigéria e Síria vivem sob constante ameaça de violência e extermínio com pouca ação governamental para conter os ataques.

Cristãos na Nigéria e na Síria estão enfrentando um cenário de mortes brutais, com ataques direcionados por militantes islâmicos que ameaçam a existência de comunidades milenares. Em algumas regiões nigerianas, professar a fé cristã pode significar uma sentença de morte. Durante a Semana Santa, uma onda de terror perpetrada por homens armados resultou na morte de mais de 60 fiéis em vilarejos, negócios e igrejas, transformando dias de celebração em momentos de horror.

Em Jos, na Nigéria, militantes invadiram um bairro predominantemente cristão no Domingo de Ramos, abrindo fogo contra moradores e matando pelo menos uma dúzia de pessoas. Todd Nettleton, Vice-Presidente da Voice of the Martyrs, destacou a motivação religiosa nos ataques. “Os atiradores gritavam ‘Allahu Akbar’ enquanto disparavam contra os cristãos. Portanto, isso não é apenas uma atividade criminosa com uma motivação religiosa clara… o fato de ter ocorrido no que me é dito ser uma área 100% cristã da cidade, também é um sinal de que os cristãos estão sendo alvos”, afirmou Nettleton. Ele ressaltou que, embora não possa confirmar o termo genocídio, é evidente que os cristãos são os alvos.

Testemunhas apontam para os Fulani como responsáveis pelo ataque em Jos. Embora muitos acreditem que os ataques Fulani sejam disputas tribais, Judd Saul, fundador da Equipping the Persecuted, discorda. “Se eles realmente acreditam nisso, é porque caíram em uma mentira completa”, disse Saul, que trabalha na Nigéria desde 2011 e ouviu dos próprios Fulani o desejo de erradicar o cristianismo.

Saul alerta que os militantes Fulani buscam estabelecer um califado islâmico na Nigéria, com mínima intervenção governamental. Em dezembro passado, o presidente Donald Trump ordenou ataques aéreos contra acampamentos do ISIS no noroeste da Nigéria. A Primeira-Dama da Nigéria, Oluremi Tinubu, expressou gratidão pelo apoio americano em fevereiro, indicando que foi o primeiro Natal sem ataques.

Contudo, a violência ressurgiu na Páscoa. Na véspera do feriado, jihadistas Fulani atacaram a comunidade cristã de Mbalom, em Benue State, incendiando casas e matando pelo menos 17 pessoas, incluindo fiéis que se preparavam para os cultos. Ataques similares ocorreram em Kaduna e outras regiões.

A organização de Saul já havia emitido alertas de terrorismo três semanas antes, prevendo a violência durante a Páscoa, com uma taxa de precisão de 93% em alertas anteriores. “Temos emitido alertas de terrorismo nos últimos dois anos com 93% de precisão. Emitimos mais de 150 deles, e em praticamente todos os casos em que emitimos alertas de terror, o governo nigeriano não fez nada”, insistiu Saul. Ele acrescentou que, após os ataques, o governo nigeriano interveio, mas acabou punindo cristãos, com poucos terroristas levados à justiça.

Na Síria, na véspera do Domingo de Ramos, um grupo de jovens muçulmanos em motocicletas invadiu a cidade de Suqaylabiyah, na província de Hama. Os agressores saquearam lojas, destruíram veículos e propriedades da igreja, além de derrubarem uma estátua da Virgem Maria. As forças de segurança, em vez de proteger os moradores, prenderam homens que defendiam a cidade.

Hekmat Matthew Aboukhater, ex-residente cristão de Aleppo, alertou que cristãos estão deixando a Síria por falta de confiança no governo para protegê-los. “O governo, infelizmente, seja intencionalmente ou por simplesmente não estar disposto a controlar os pogroms que se seguiram, incapaz de conter a maré de violência”, declarou Aboukhater, mencionando ataques a minorias como os Drusos e Alauítas.

  • Mais de 1.400 Alauítas foram mortos na costa em março de 2025.
  • 25 cristãos foram mortos em um bombardeio em uma igreja em Damasco em junho.
  • Até 2.000 Drusos foram massacrados em Suwayda em julho.

Há quinze anos, antes da guerra civil, cerca de 2,5 milhões de cristãos viviam na Síria. Atualmente, o número caiu para aproximadamente 300.000, representando apenas 1-2% da população. Aboukhater adverte que a comunidade cristã síria pode desaparecer em breve, especialmente com a Sharia sendo a fonte oficial de jurisprudência no país.

Todd Nettleton incentiva orações pela proteção dos cristãos perseguidos e pela experiência da presença de Cristo. “Vamos orar pela proteção de Deus. Mas vamos também orar para que eles experimentem a presença de Cristo. Eu oro por isso para mim. Eu oro por isso para minha própria igreja”, explicou Nettleton. “Vamos orar por oportunidades para que nossos irmãos e irmãs compartilhem o evangelho, às vezes até com seus perseguidores.”

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