Alabama aprova lei de ‘tempo liberado’ para instrução religiosa fora do campus
O estado do Alabama promulgou uma nova legislação que autoriza estudantes do ensino público a se ausentarem do campus durante o dia letivo para participar de programas de instrução religiosa. Essa prática é comumente conhecida como “released time” ou “tempo liberado”. O governador Kay Ivey sancionou o Projeto de Lei do Senado nº 248, também denominado Alabama Released Time Credit Act, oficializando o programa em todo o estado.
De acordo com a nova lei, os pais ou responsáveis legais têm a prerrogativa de escolher que seus filhos participem de um programa de instrução religiosa, desde que este seja conduzido por uma entidade patrocinadora. É crucial destacar que essas atividades não são organizadas nem supervisionadas pelas juntas locais de educação, nem se enquadram sob a autoridade de seus funcionários.
Limites e condições para participação
A legislação estabelece condições sob as quais a participação em programas de tempo liberado pode ser restrita. As autoridades escolares podem vetar a participação se houver um receio razoável, baseado em evidências objetivas, de que a permissão para frequentar tais programas representaria um risco substancial de dano físico ao estudante. Da mesma forma, a participação pode ser impedida se a entidade patrocinadora violar leis estaduais de forma a expor o aluno a risco físico.
Outras restrições podem ser aplicadas se a ausência do aluno comprometer o tempo mínimo de instrução exigido para qualquer disciplina, conforme determinado pelo Conselho Estadual de Educação, ou se interferir em intervenções estudantis obrigatórias por lei federal ou estadual.
Neutralidade religiosa e precedentes legais
A lei ressalta a importância da neutralidade religiosa por parte do Estado, afirmando que nenhuma de suas disposições pode ser interpretada como um endosso a crenças, práticas ou instruções religiosas por parte do Conselho Estadual de Educação ou de quaisquer juntas locais de educação. A legislação também preserva a autoridade das juntas locais para adaptar as políticas às suas necessidades específicas.
O precedente legal para programas de tempo liberado remonta a 1952, com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Zorach v. Clauson. Na ocasião, a corte considerou essas iniciativas constitucionais, declarando que “não há requisito constitucional que torne necessário para o governo ser hostil à religião e empregar seu peso contra esforços para ampliar o escopo efetivo da influência religiosa”. A Suprema Corte observou ainda que “quando o estado incentiva a instrução religiosa ou coopera com autoridades religiosas ajustando a agenda de eventos públicos às necessidades sectárias, ele segue o melhor de nossas tradições”.
Críticas e preocupações
Apesar do respaldo legal, programas de tempo liberado enfrentam críticas. Especialistas e alguns conselhos escolares apontam que tais programas podem interferir nos horários acadêmicos regulares, sugerindo que a instrução religiosa deveria ocorrer fora do horário escolar convencional. Um exemplo disso ocorreu em outubro de 2024, quando o Conselho Escolar da Cidade de Westerville votou por encerrar sua iniciativa de tempo liberado. A presidente do conselho, Kristy Meyer, expressou “preocupações significativas sobre as distrações causadas pela retirada de crianças da escola no meio do dia”.
