Sistema de suicídio assistido canadense enfrenta críticas após aprovação de caso por perda de habilidades domésticas
Uma idosa canadense na casa dos 70 anos obteve aprovação para realizar suicídio assistido após relatar que não conseguia mais cozinhar para sua família e sentia que não possuía mais valor. O caso, revelado pelo portal Christianity Daily, acendeu um alerta entre psiquiatras sobre a abrangência do programa de assistência médica para morrer (MAiD) no país.
Madeline Li e Gary Rodin, professores de psiquiatria da Universidade de Toronto, detalharam o caso em um artigo de opinião. Eles sustentam que o modelo canadense, um dos mais permissivos do mundo, expandiu-se além de pacientes com mortes naturais previsíveis, tornando-se uma opção utilizada em situações de infelicidade cotidiana.
Riscos de um sistema sem barreira de reflexão
Os especialistas observam que o procedimento está sendo buscado como solução para dilemas decorrentes da pobreza, solidão ou desespero, sem que haja uma oportunidade adequada de reflexão com profissionais de saúde. A paciente em questão, que se sentia desamparada ao perder seu papel como matriarca da família, desistiu do processo após receber aconselhamento terapêutico.
“Através de aconselhamento, ela veio a entender que sua família valorizava quem ela era, não o que ela fazia por eles. Ela decidiu não seguir com o encerramento de sua vida, pelo menos por enquanto”, descreveram os psiquiatras no artigo publicado pelo Christianity Daily.
Desde a legalização, em 2016, a taxa de suicídio assistido no Canadá cresceu 16 vezes, representando hoje mais de 5% de todas as mortes no país. A legislação foi ampliada em 2021 para incluir indivíduos cujas mortes não são consideradas previsíveis a curto prazo.
Necessidade de alternativas ao fim da vida
Os médicos enfatizam que não desejam desencorajar pacientes em sofrimento, mas pedem que o sistema de saúde priorize a manutenção da dignidade e o sentido da vida. O alerta central é que a morte não deve ser encarada como a única alternativa de alívio disponível para cidadãos que enfrentam dificuldades sociais ou emocionais.
