Líderes do RSS buscam reposicionamento de imagem no cenário internacional enquanto enfrentam denúncias de violações à liberdade religiosa na Índia
O Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), principal organização nacionalista hindu da Índia e base ideológica do partido governista Bharatiya Janata Party (BJP), realizou uma ofensiva de relações públicas em Nova York no dia 29 de agosto. O evento, intitulado “Universal Oneness Celebrations”, contou com um discurso do líder Mohan Bhagwat no Madison Square Garden, marcando uma tentativa de atenuar preocupações globais sobre a trajetória do grupo, conforme relatado pelo site International Christian Concern (ICC).
A iniciativa faz parte de uma campanha de alcance iniciada em maio deste ano, que visa combater o que os dirigentes do RSS descrevem como equívocos sobre sua ideologia. Representantes da organização visitaram Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha com o intuito de neutralizar críticas crescentes, especialmente aquelas relacionadas ao tratamento de minorias religiosas na Índia.
Contraste entre discurso e realidade local
Enquanto o RSS promove mensagens de unidade e diversidade no exterior, a realidade vivenciada por cristãos e outras minorias na Índia aponta para um cenário de hostilidade. A Commission on International Religious Freedom (USCIRF) dos Estados Unidos recomendou, em seu relatório anual de 2026, a aplicação de sanções contra o grupo devido a violações graves à liberdade religiosa.
Um dos pontos centrais da tensão é a implementação de leis estaduais anti-conversão, frequentemente utilizadas para deter pastores e trabalhadores cristãos. Atividades humanitárias, como a distribuição de alimentos e assistência médica, são constantemente colocadas sob suspeita, fornecendo respaldo legal para intimidações sistemáticas por parte de ativistas nacionalistas.
Protestos e questionamentos
A presença de Mohan Bhagwat em Nova York não ocorreu sem resistência. Do lado de fora do Madison Square Garden, centenas de manifestantes de diversas comunidades religiosas reuniram-se para protestar contra o histórico da organização. A controvérsia estendeu-se a líderes religiosos locais que participaram de eventos inter-religiosos associados à visita; alguns manifestaram arrependimento após descobrirem a real natureza dos organizadores do encontro.
Apesar da pressão internacional e dos pedidos de responsabilização feitos por órgãos de direitos humanos, o governo indiano tem rejeitado consistentemente as avaliações da USCIRF, classificando-as como seletivas e tendenciosas. O RSS, por sua vez, mantém sua estratégia de expansão internacional para tentar reformular sua imagem pública durante o seu ano centenário.
