Cristãos sequestrados por 67 dias na Nigéria relatam tortura e fome após libertação

Mais lidas

Catorze cristãos libertados após 67 dias de cativeiro na Nigéria, enfrentando abuso e fome severos

Quatorze cristãos foram resgatados após serem mantidos em cativeiro por 67 dias na Nigéria. O grupo, sequestrado em 28 de abril durante uma cruzada evangelística no estado de Ekiti, enfrentou abuso físico, fome e tortura. Uma idosa de 84 anos, mantida em cativeiro, morreu em decorrência das condições desumanas.

O sequestro ocorreu durante um ataque à cruzada da Igreja Apostólica de Cristo (CAC), em Eda Oniyo-Ekiti. Homens armados invadiram o local, mataram o pastor que ministrava e levaram os fiéis para a floresta. Segundo informações do jornal nigeriano Premium Times, o grupo era composto majoritariamente por mulheres, além de dois meninos e crianças com idades entre dois e quatro anos.

Inicialmente, os sequestradores demandaram um resgate de 1 bilhão de nairas, posteriormente reduzido para 50 milhões. A comunidade conseguiu arrecadar e entregar apenas 10,5 milhões de nairas e outros itens solicitados. Apesar do pagamento parcial, as vítimas não foram liberadas pelos criminosos.

O resgate foi efetuado em 3 de julho, após uma operação coordenada pelas forças de segurança da Nigéria. O porta-voz da Polícia de Ekiti, Sunday Abutu, detalhou que a ação foi baseada em inteligência e contou com a participação conjunta da polícia, exército, força de segurança comunitária Amotekun, caçadores locais, governo estadual e outras agências.

Vídeos divulgados após o resgate mostram os sobreviventes em estado debilitado, com ferimentos e necessitando de auxílio para se locomover. Alguns relataram ter passado mais de uma semana sem comer.

As vítimas foram encaminhadas a um hospital para exames e tratamento médico. O empreendedor cristão Didier Neza, que compartilhou o caso no Instagram, relatou que as mulheres foram vítimas de estupro coletivo e tortura, enquanto as crianças passaram fome e todos sofreram abusos severos.

“As vítimas suportaram mais de 67 dias de inferno na mata. As mulheres foram vítimas de estupro coletivo e tortura, as crianças passaram fome e todos sofreram tortura severa e abusos brutais”, relatou Didier Neza.

Neza destacou o tratamento desumano e as condições degradantes, que levaram à morte da idosa de 84 anos. As vítimas recebem atualmente tratamento no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ekiti (EKSUTH), profundamente traumatizadas e com a saúde fragilizada.

O caso evidencia a perseguição religiosa na Nigéria e a pouca atenção midiática internacional a tais eventos. Didier Neza criticou o silêncio da mídia internacional quando cristãos sofrem ataques, contrastando com a cobertura dada à libertação de reféns muçulmanos. Ele apontou uma tática para ocultar o massacre sistemático de cristãos, onde mortes de muçulmanos são enquadradas como disputas internas entre jihadistas.

“Quando cristãos são sequestrados e posteriormente libertados após meses de estupro, tortura e fome nas mãos de jihadistas Fulani, a mídia internacional permanece em silêncio absoluto”, afirmou Neza, alertando para a necessidade de se manifestar e orar pela Igreja na Nigéria.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias