NT Wright adverte contra basear crenças em experiências de quase-morte

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Teólogo N.T. Wright aconselha cautela com relatos de quase-morte

O renomado teólogo e estudioso do Novo Testamento, N.T. Wright, tem alertado os cristãos sobre a importância de abordar relatos de experiências de quase-morte (EQMs) com discernimento. Segundo ele, visões do Céu, Inferno ou encontros com Jesus não devem se tornar a base para as crenças cristãs sobre a vida após a morte.

Em uma participação no podcast “Ask N.T. Wright Anything”, o especialista de 77 anos discutiu como conciliar esses relatos com os ensinamentos bíblicos sobre a ressurreição dos mortos. Wright não descarta tais experiências, mas ressalta que a esperança cristã fundamental reside na ressurreição futura do corpo e na renovação da criação, não em uma existência imediata no Céu.

A ressurreição como pilar da esperança cristã

Wright explicou que a ressurreição, compreendida na perspectiva judaica do primeiro século e pelos escritores do Novo Testamento, é um evento final que ocorrerá quando Deus renovar toda a criação. Ele destacou que há um intervalo entre a morte corporal e a ressurreição final para aqueles que morrem antes do retorno de Cristo.

Referenciando passagens como Romanos 8, Apocalipse 21 e 1 Coríntios 15, Wright mencionou que o Novo Testamento utiliza metáforas de nascimento, casamento e vitória para descrever a transformação que ocorrerá no fim dos tempos. “Algo muito dramático vai acontecer no fim”, afirmou. “E onde estamos após a morte, ou em que estado estamos após a morte, é uma questão diferente.”

A alma imortal e a visão bíblica

O teólogo também questionou a ideia de que a “alma” é uma parte imortal inerentemente separada do corpo que escapa na morte, argumentando que esse conceito tem mais raízes na filosofia platônica do que na antropologia bíblica.

Em vez disso, Wright sugere que os cristãos que morrem são sustentados por Deus até a ressurreição. Ele apontou para as palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 1, sobre o desejo de “partir e estar com Cristo”, indicando que o Espírito Santo, que habita no cristão durante a vida presente, continuará a sustentar o espírito da pessoa na presença de Deus.

Discernimento diante de testemunhos emocionantes

Wright compartilhou um relato de um homem que serviu como piloto na Segunda Guerra Mundial, foi dado como morto após ser abatido e, inesperadamente, recuperou-se. O homem descreveu ter experimentado o amor e a presença de Deus de forma avassaladora, uma experiência que mudou sua vida e o levou a seguir o ministério cristão.

“Eu fiquei muito comovido, e ainda fico, por isso e coisas semelhantes”, disse Wright. “Mas o testemunho emocionalmente poderoso não estabelece necessariamente o que acontece após a morte.”

O teólogo advertiu que as EQMs podem ser influenciadas por expectativas preexistentes ou pela atividade cerebral contínua. Ele comparou a possibilidade de vivenciar algo semelhante a um sonho vívido, que não deve ser a base para construir doutrinas sobre o estado intermediário.

“Pode muito bem ser um sonho maravilhoso”, ponderou. “Todos nós podemos ter sonhos maravilhosos durante a vida presente também, mas se se pode construir algo a partir disso em termos de como é realmente o estado intermediário, eu seria muito, muito cauteloso.”

A importância de focar na criação renovada

Wright enfatizou que, embora Deus possa conceder uma sensação de beleza, amor ou nova criação durante a transição da morte, os cristãos não devem basear suas crenças nessas experiências. “Os cristãos não podem e não devem basear nenhuma de nossas crenças sobre o futuro e a vida futura nesses relatos”, declarou.

Ele reiterou que a esperança central do Novo Testamento não é apenas a “vida após a morte”, mas o que ele descreve como “vida após a vida após a morte”: a ressurreição do povo de Deus em uma criação renovada. “A importância é se apegar ao final da nova criação e da ressurreição”, concluiu.

Embora reconheça que vislumbres dessa realidade possam ocorrer durante o processo de morrer, Wright aconselha que tais experiências não sejam tratadas como prova definitiva do que aguarda a todos. Ele observou que profissionais médicos poderiam interpretar tais eventos como “o cérebro passando por seus movimentos finais”.

O pastor e autor John Burke, que estudou milhares de EQMs, ecoou o sentimento de Wright, alertando contra o uso dessas experiências como base para doutrina. “As Escrituras precisam ser a chave interpretativa para as experiências de quase-morte, não o contrário”, afirmou.

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