Primeira condenação por destruição de igrejas em Jaranwala, Paquistão, é marcada por absolvições devido a investigações falhas
Um tribunal anticorrupção no Paquistão proferiu sua primeira condenação relacionada aos violentos distúrbios de Jaranwala em 2023. Um homem foi sentenciado a uma década de prisão por seu envolvimento na demolição de duas igrejas. Contudo, a decisão foi ofuscada pela absolvição de 13 outros acusados, resultado que o juiz atribuiu diretamente a investigações policiais consideradas inadequadas, conforme apontado pelo Persecution.org.
O juiz Waseem Mubarak, da Corte Anti-Terrorismo de Faisalabad, anunciou o veredicto em 12 de julho. Irfan Yousaf foi considerado culpado em casos de incêndio criminoso e profanação das igrejas Salvation Army e Peace Mission International. Yousaf foi identificado como o principal responsável após imagens de vídeo com verificação forense mostrá-lo operando um guindaste durante a destruição dos templos.
A condenação ocorre quase três anos após os eventos de 16 de agosto de 2023, na cidade de Jaranwala, província de Punjab. Os motins foram desencadeados por alegações falsas de que dois homens cristãos haviam profanado o Alcorão e insultado o Profeta Muhammad. Uma corte posterior determinou que essas acusações foram fabricadas devido a uma disputa pessoal.
A violência, liderada por membros do partido extremista Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP), resultou na queima de 26 edifícios religiosos e no saque e destruição de pelo menos 86 residências. A sentença de Yousaf representa uma rara punição legal em casos de violência comunitária, mas a absolvição dos outros réus gerou apreensão sobre a integridade do sistema judicial do país.
O próprio juiz Mubarak criticou duramente as forças de segurança, destacando que o caso da promotoria foi seriamente comprometido por uma investigação policial deficiente. Foram apontadas falhas institucionais significativas, incluindo um atraso de seis dias no registro formal da ocorrência, a inação policial durante os atos de vandalismo e a coleta inadequada de provas.
Representantes das vítimas argumentam que tais falhas estruturais frequentemente permitem que os perpetradores de violência sectária escapem da responsabilização. Apesar da notoriedade do incidente de Jaranwala, ativistas de direitos humanos observam que, de cerca de 5.200 participantes estimados nos motins, apenas algumas centenas foram detidas, e a maioria já foi liberada sob fiança.
A Suprema Corte do Paquistão já havia repreendido autoridades provinciais pela apresentação de denúncias frágeis. Recentemente, o tribunal superior ordenou que a corte anti-terrorismo concluísse os julgamentos remanescentes de Jaranwala em até seis meses.
Embora o governo de Punjab tenha manifestado a intenção de recorrer das absolvições, defensores dos direitos das minorias locais consideram que uma única condenação não garante justiça para a comunidade afetada. A corte determinou que a polícia localize e prenda outros 100 a 150 suspeitos não identificados vistos em vídeos e que permanecem foragidos.
